China desenvolve arma de microondas capaz de ‘matar’ satélites como o Starlink

A China desenvolveu um novo equipamento militar de microondas de alta potência que poderá, no futuro, ser utilizado para perturbar ou neutralizar redes de satélites em órbita baixa, como a constelação Starlink.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 6, 2026
17:21

A China desenvolveu um novo equipamento militar de microondas de alta potência que poderá, no futuro, ser utilizado para perturbar ou neutralizar redes de satélites em órbita baixa, como a constelação Starlink. O avanço tecnológico, descrito num estudo conduzido por investigadores ligados ao setor militar chinês, sugere que o país poderá ganhar vantagem na crescente corrida internacional às armas espaciais.

O projeto foi conduzido por cientistas do Northwest Institute of Nuclear Technology (NINT), centro de investigação sediado em Xi’an e associado às forças armadas chinesas. Segundo os autores, foi criado o menor “driver” do mundo para armas de microondas de alta potência (HPM), tecnologia concebida para gerar impulsos eletromagnéticos intensos capazes de afetar sistemas eletrónicos.

O dispositivo, designado TPG1000Cs, mede cerca de quatro metros de comprimento e pesa aproximadamente cinco toneladas, sendo significativamente mais pequeno do que sistemas comparáveis, que tradicionalmente apresentam grandes dimensões e são difíceis de integrar em plataformas militares móveis.

De acordo com o estudo, o equipamento demonstrou estabilidade operacional prolongada, tendo o sistema “demonstrado funcionamento estável durante períodos contínuos de um minuto, acumulando aproximadamente 200 mil impulsos com desempenho consistente”, algo que representa um salto face às soluções anteriores, que apenas conseguiam operar durante alguns segundos.

Potência muito acima do necessário para afetar satélites
Os investigadores indicam ainda que o TPG1000Cs consegue gerar pulsos elétricos até 20 gigawatts, um valor muito superior ao limiar considerado suficiente para interferir com satélites de órbita baixa. Especialistas referidos no trabalho apontam que cerca de 1 gigawatt já poderia bastar para comprometer redes como a Starlink, o que coloca este sistema muito acima desse patamar.

Essa capacidade poderá permitir ataques eletrónicos difíceis de detetar ou de atribuir responsabilidades, diferenciando-se das armas anti-satélite convencionais.

Alternativa aos mísseis e sem destroços espaciais
Ao contrário dos métodos cinéticos, que destroem fisicamente os satélites e geram grandes quantidades de detritos orbitais — colocando em risco outras naves, incluindo as do próprio país atacante —, as armas de microondas funcionam através da libertação súbita de energia armazenada, produzindo radiação intensa capaz de inutilizar componentes eletrónicos sem provocar explosões.

Este tipo de abordagem é visto por vários países, incluindo Estados Unidos, Rússia e China, como uma solução com vantagens estratégicas, por reduzir danos colaterais no espaço e permitir operações menos visíveis.

Starlink no centro das preocupações estratégicas
As constelações de satélites de comunicações tornaram-se infraestruturas críticas em contextos civis e militares. A Starlink, desenvolvida pela SpaceX, tem sido utilizada para sustentar comunicações em cenários de conflito, nomeadamente durante a invasão russa da Ucrânia, onde demonstrou resistência a tentativas de interferência eletrónica.

Nos últimos anos, investigadores chineses têm publicado vários estudos defendendo a necessidade de desenvolver meios capazes de interromper ou degradar grandes constelações comerciais, considerando-as um fator de vantagem estratégica para países rivais.

Miniaturização graças a novo material isolante
O avanço tecnológico agora anunciado foi possível graças à utilização de um isolante líquido de elevada densidade energética, o Midel 7131. No estudo, os cientistas explicam que “ao adotar um dielétrico líquido de elevada densidade energética Midel 7131 e uma linha de formação de pulsos de largura dupla, foi alcançada a miniaturização de um transformador Tesla integrado e do sistema de formação de pulsos”, solução que permitiu reduzir significativamente o tamanho do equipamento sem sacrificar potência.

A investigação foi publicada a 13 de janeiro na revista científica chinesa High Power Laser and Particle Beams e surge num momento em que a militarização do espaço e o desenvolvimento de capacidades anti-satélite ganham crescente relevância geopolítica.

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