Vídeo partilhado por Trump gera controvérsia ao retratar os Obama como macacos

Publicação, difundida na quinta-feira na plataforma ‘Truth Social’, recupera teorias da conspiração sobre uma alegada fraude nas eleições presidenciais de 2020

Francisco Laranjeira
Fevereiro 6, 2026
9:52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, partilhou nas redes sociais um vídeo que está a gerar forte indignação política e acusações de racismo, ao retratar o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama com os rostos sobrepostos a corpos de macacos. A publicação, difundida na quinta-feira na plataforma ‘Truth Social’, recupera teorias da conspiração sobre uma alegada fraude nas eleições presidenciais de 2020, derrotas que Trump continua a recusar reconhecer, segundo noticiou a ‘AFP’.

O vídeo, com cerca de um minuto, repete alegações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems esteve envolvida numa manipulação eleitoral contra Trump e sugere que a derrota frente a Joe Biden terá sido orquestrada por figuras do Partido Democrata. No final das imagens, surge brevemente um excerto em que os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem colocados sobre corpos de macacos, enquanto se ouve a música “The Lion Sleeps Tonight”, associada ao filme ‘O Rei Leão’.

A associação de afro-americanos a macacos é amplamente reconhecida como racista, historicamente utilizado por ideologias supremacistas brancas e enraizado na iconografia colonial europeia, usada para desumanizar populações africanas. Foi precisamente este elemento visual que concentrou as críticas mais duras à publicação de Trump.

Condenação imediata dos democratas

A reação política foi rápida. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, um dos mais proeminentes críticos de Trump e potencial candidato democrata à Casa Branca em 2028, classificou a publicação como “comportamento repugnante”, defendendo que todos os republicanos devem repudiar o vídeo. A posição foi tornada pública através das redes sociais.

Ben Rhodes, antigo conselheiro de segurança nacional de Barack Obama, foi ainda mais longe, acusando Trump e os seus apoiantes de racismo explícito. Numa mensagem publicada na rede social ‘X’, afirmou esperar que o episódio “assombre Trump e os seus seguidores racistas”, contrapondo a imagem histórica dos Obamas àquilo que descreveu como uma “mancha” deixada pelo atual presidente na história americana.

Até à manhã de sexta-feira, o vídeo já acumulava mais de mil interações na Truth Social, apesar da vaga de críticas. Não houve, até ao momento, qualquer retratação pública por parte de Donald Trump.

Uso recorrente de conteúdos manipulados

Desde o início do seu segundo mandato, Trump tem intensificado a partilha de imagens e vídeos hiper-realistas, mas fabricados, recorrendo frequentemente a conteúdos gerados por inteligência artificial para atacar adversários políticos. No ano passado, partilhou um vídeo que mostrava Barack Obama a ser detido no Salão Oval e posteriormente atrás das grades, envergando um macacão laranja, lembra a AFP.

Noutro episódio, divulgou um vídeo igualmente gerado por IA em que Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara dos Representantes e também afro-americano, surgia caricaturado com um bigode falso e um sombrero. A repetição deste tipo de conteúdos tem alimentado críticas sobre o recurso deliberado a imagens ofensivas e estereótipos raciais no discurso político do presidente norte-americano.

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