Não deixe o mau tempo atrapalhar: como caminhar em segurança quando o gelo (e a neve…) transformam o passeio num risco

Uma técnica simples, inspirada no andar dos pinguins, pode reduzir quedas em dias de frio extremo, num fim de semana marcado por mau tempo em Portugal

Francisco Laranjeira
Fevereiro 7, 2026
11:00

Tempestades de neve e gelo podem criar cenários visualmente apelativos vistos do conforto de casa, mas tornam-se rapidamente perigosas quando é necessário sair à rua. Um passeio aparentemente banal pode transformar-se num acidente grave com um simples passo em falso, sobretudo quando o pavimento está coberto de gelo ou neve.

Não existe um registo exaustivo de lesões associadas ao clima invernal, mas estudos indicam que o número de quedas aumenta significativamente nestas condições, em especial entre pessoas mais velhas. Ainda assim, qualquer pessoa está sujeita a escorregar quando os passeios ficam gelados. Segundo a ‘Scientific American’, há uma forma simples de reduzir esse risco: andar como um pinguim.

O “andar do pinguim” explicado pela ciência

A recomendação é de Gabriela Murza, professora associada de saúde e bem-estar da Universidade Estatal do Utah. A ideia não passa por imitar literalmente a ave antártica, mas por adotar uma marcha mais segura. Caminhar com os pés totalmente apoiados no chão e dar passos curtos ajuda a aumentar a área de contacto com o solo e a manter o peso mais centrado, reduzindo a probabilidade de escorregar.

De acordo com a ‘Scientific American’, esta abordagem contrasta com a marcha habitual, que começa no calcanhar e termina nos dedos, tornando o corpo mais instável em superfícies escorregadias. Murza aconselha ainda a manter os joelhos ligeiramente fletidos, o que aumenta a estabilidade e diminui a pressão na região lombar.

Pequenos gestos que fazem a diferença

Em dias de frio intenso, o multitasking também se torna um risco. Guardar o telemóvel e caminhar com atenção total ao percurso é essencial. Os braços devem estar fletidos e as mãos fora dos bolsos: se ocorrer uma queda, esta posição permite amortecer o impacto com os antebraços, protegendo zonas mais vulneráveis como os pulsos e o rosto.

As horas mais perigosas são, em regra, a noite e o início da manhã, quando as temperaturas são mais baixas e o sol ainda não ajudou a derreter o gelo. Murza alerta para o chamado gelo negro — transparente e difícil de identificar — bem como para placas de gelo escondidas sob neve ou água de degelo.

Um alerta que também se aplica a Portugal

Embora estas recomendações surjam num contexto internacional, o risco é particularmente relevante em Portugal neste fim de semana. O continente começa a sentir, a partir deste sábado de manhã, os efeitos da depressão Marta, que traz chuva intensa, vento forte, neve e agitação marítima, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Os maiores acumulados de precipitação deverão ocorrer a sul do rio Tejo, incluindo a região da Grande Lisboa, com valores que podem atingir cerca de 60 litros por metro quadrado em 24 horas. Nas zonas de maior altitude, a precipitação cairá sob a forma de neve acima dos 900 metros, com acumulações superiores a 25 centímetros na Serra da Estrela.

Com avisos meteorológicos em várias regiões do país e pavimentos potencialmente escorregadios, caminhar com cautela torna-se essencial. Em dias de gelo, um passo mais curto e estável pode fazer toda a diferença entre chegar a casa em segurança ou acabar numa ida inesperada ao hospital.

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