Cheias, estradas cortadas, e milhares sem luz: Proteção Civil regista quase 5.800 ocorrências devido ao mau tempo deixa avisos para as próximas horas

No balanço operacional, o responsável confirmou 5.793 ocorrências registadas, apoiadas por mais de 20.300 operacionais, 8.007 meios terrestres e vigilância aérea permanente com helicópteros.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 5, 2026
12:47

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, apresentou ao final da manhã desta quinta-feira um retrato detalhado do impacto do mau tempo em Portugal continental, descrevendo um cenário marcado por cheias, derrocadas, estradas submersas, populações deslocadas e milhares de meios no terreno.

No balanço operacional, o responsável confirmou 5.793 ocorrências registadas, apoiadas por mais de 20.300 operacionais, 8.007 meios terrestres e vigilância aérea permanente com helicópteros.

Entre os episódios mais graves contam-se deslizamentos de terras, inundações extensas nas principais bacias hidrográficas e interrupções rodoviárias e ferroviárias em vários distritos.

Estradas cortadas, derrocadas e vias ferroviárias afetadas
De acordo com Mário Silvestre, há registo de uma derrocada na EN4, em Sesimbra, enquanto a inundação do rio Tejo entre Lisboa e Vila Franca de Xira provocou constrangimentos tanto na Estrada Nacional 10 como na Linha do Norte, afetando a circulação ferroviária.

Na Lezíria do Tejo, várias estradas encontram-se cortadas e campos agrícolas submersos, com inundações significativas na Azambuja. A situação estende-se também à margem esquerda do Sorraia, onde o rio já galgou a margem direita, causando inundações em Coruche.

O Médio Tejo e Constância apresentam igualmente diversas zonas submersas. No distrito de Portalegre, foi registada uma derrocada na Serra de São Mamede, esta manhã, que danificou vários veículos.

Mais a sul, em Alcoutim, a subida do Guadiana, motivada por descargas provenientes de Espanha, obrigou à retirada de moradores das suas habitações.

Planos de emergência ativados em dezenas de municípios
Perante o agravamento da situação, a Proteção Civil ativou planos distritais de emergência e proteção civil nas zonas mais afetadas, bem como 84 planos municipais de emergência, numa resposta coordenada para mitigar riscos e apoiar populações.

Inundações já quase superam quedas de árvores
O comandante destacou que o tipo de ocorrências tem vindo a alterar-se. Se inicialmente predominavam quedas de árvores, agora as inundações assumem um peso semelhante, com 1.503 situações registadas.

Há ainda localidades isoladas nos distritos de Santarém e Coimbra, e várias pessoas foram retiradas preventivamente:

  • Santarém: 53 deslocados
  • Coruche: 132
  • Leiria: 145
  • Castelo Branco: 153
  • Setúbal: 15

No plano energético, 86 mil clientes continuam sem eletricidade, sendo Leiria o distrito mais afetado.

Risco mantém-se elevado nas próximas horas

Mário Silvestre alertou para os efeitos expectáveis nas próximas horas, nomeadamente:

  • inundações em áreas urbanas;
  • cheias rápidas;
  • deslizamentos de terras;
  • estradas submersas;
  • galgamentos de rios;
  • forte ondulação marítima;
  • arrastamento e queda de objetos para as vias rodoviárias.

O responsável reforçou que o comportamento individual pode ser determinante para evitar vítimas. “O comportamento seguro é crítico para não termos vítimas a lamentar”, sublinhou.

Recomendações à população

A Proteção Civil reiterou um conjunto de medidas preventivas, apelando a que a população:

  • não atravesse estradas inundadas;
  • evite túneis, ribeiras e vales;
  • estacione apenas em locais seguros;
  • feche portas e janelas e permaneça nos pisos superiores;
  • desligue e afaste equipamentos elétricos da água;
  • transporte apenas o essencial caso tenha de sair (medicação e identificação);
  • não caminhe em zonas alagadas, recordando que 30 centímetros de água podem arrastar uma pessoa ou imobilizar veículos;
  • mantenha crianças e animais afastados de linhas de água;
  • evite zonas próximas de descargas de barragens.

Vigilância apertada aos grandes rios

A situação hidrológica mantém-se sob observação contínua. Segundo a Proteção Civil, descargas de barragens espanholas poderão criar problemas no rio Douro, cenário ainda em avaliação.

No Tejo, é esperado que o pico de caudal ocorra por volta da meia-noite, sobretudo no Médio Tejo e no distrito de Lisboa. Já no Guadiana, os caudais elevados mantêm-se desde ontem.

Com milhares de operacionais mobilizados e múltiplos planos de emergência ativos, as autoridades mantêm o apelo à prudência, numa fase em que a evolução do tempo e dos caudais poderá continuar a agravar os impactos em várias regiões do país.

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