Presidenciais. Seguro vence ‘Liga da tempestade’: gestão da catástrofe reforça perfil de porto de abrigo do candidato presidencial

Antigo secretário-geral do PS tem acentuado o perfil de “porto de abrigo” e capitalizado nesta fase decisiva da campanha para a segunda volta

Revista de Imprensa
Fevereiro 5, 2026
9:09

A forma como foi gerida politicamente a recente tempestade que assolou o país reforçou a imagem de António José Seguro como figura de estabilidade e liderança, com 45% dos eleitores a considerarem a sua atitude a mais adequada face à catástrofe. Já André Ventura recolhe apenas 14% neste indicador, num contraste que acentua o perfil de “porto de abrigo” que o antigo secretário-geral do PS tem capitalizado nesta fase decisiva da campanha para a segunda volta, de acordo com o ‘Jornal de Notícias‘.

Os dados constam do nono dia da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN Portugal e mostram que a depressão Kristin funcionou como um teste direto ao chamado “fator presidencial”. Perante um cenário de falha grave dos serviços públicos essenciais provocada por crises desta natureza, 66% dos inquiridos apontam Seguro como o candidato mais bem preparado para intervir, enquanto apenas 20% depositam essa confiança no líder do Chega.

Resposta do Governo avaliada negativamente

A sondagem avalia também a resposta do atual Governo às consequências da tempestade, particularmente visíveis em vários municípios da região Centro. Apenas 23% dos portugueses classificam a atuação do Executivo como positiva ou muito positiva, enquanto 43% a consideram negativa ou muito negativa. Neste contexto, 66% defendem que o Presidente da República deve assumir um papel ativo, exigindo maior rapidez e eficácia ao Governo, em vez de adotar uma postura discreta ou de apoio público à ação governativa.

Este dado revela uma expectativa clara do eleitorado em relação a um chefe de Estado interventivo e vigilante perante falhas do Estado. É neste ponto que André Ventura consegue ganhar algum terreno. Num cenário de atraso governamental na resposta a uma crise grave, 35% dos inquiridos acreditam que o líder do Chega teria maior capacidade de pressão sobre o Executivo, embora Seguro continue a liderar também este indicador, com 53%.

Quando a questão é a recuperação da confiança nas instituições políticas, a vantagem do antigo líder socialista volta a ser expressiva: 68% dos eleitores acreditam que Seguro é o candidato mais indicado para esse objetivo, contra 20% que atribuem essa capacidade a Ventura, segundo o ‘Jornal de Notícias’.

Ventura sobe, mas vantagem de Seguro mantém-se confortável

Apesar de ser penalizado na avaliação da sua gestão política da crise meteorológica, André Ventura não perde fôlego nas intenções de voto. O candidato do Chega sobe para os 29,5%, o valor mais elevado desde o início desta série de sondagens, a 26 de janeiro. António José Seguro regista 53,2%, recuperando ligeiramente, mantendo ainda assim uma margem confortável.

A perceção de vitória, porém, mantém-se praticamente inalterada. Independentemente da intenção de voto, 90% dos inquiridos acreditam que Seguro será eleito Presidente da República, uma convicção transversal ao eleitorado. Apenas 6% admitem uma eventual reviravolta protagonizada por André Ventura.

Diferenças regionais e sociais marcam eleitorado

A segmentação dos dados mostra que o apoio a António José Seguro é particularmente sólido no Norte do país, onde atinge 59%, e entre o eleitorado feminino, com 59,3%. O candidato beneficia ainda de uma forte transferência de votos de eleitores moderados, captando mais de metade dos que votaram em Marques Mendes na primeira volta e cerca de 62% dos que optaram por Gouveia e Melo.

André Ventura mantém, por seu lado, maior expressão entre os homens e entre os eleitores mais jovens, dos 18 aos 34 anos. A fidelização do seu eleitorado é quase total, mas continua a revelar dificuldades na conquista de votos fora do seu espaço político, nomeadamente junto dos eleitores de João Cotrim de Figueiredo.

Pós-eleições e risco de divisão

A sondagem revela ainda um aumento da perceção de divisão no país após as eleições. Um quarto dos portugueses antecipa um cenário de maior fragmentação nacional, enquanto igual percentagem acredita numa maior união. Para 44%, o futuro dependerá diretamente do resultado eleitoral.

Com 85% dos inquiridos a garantirem que irão votar “de certeza”, a mobilização surge como fator decisivo. António José Seguro tem alertado repetidamente para o risco de as sondagens alimentarem a abstenção, levando alguns eleitores a acreditar que o resultado está decidido e que o seu voto não fará a diferença.

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