Sondagem aponta vitória folgada de António José Seguro na segunda volta das presidenciais: Ventura ‘iguala’ AD

Sondagem foi realizada junto de 607 eleitores, entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro, com uma margem de erro de quatro pontos percentuais, o que reforça a robustez da vantagem atribuída a Seguro

Revista de Imprensa
Fevereiro 5, 2026
8:53

António José Seguro deverá ser o próximo Presidente da República se a segunda volta das eleições confirmar os resultados da mais recente sondagem da ‘Aximage’, publicado esta quinta-feira pelo ‘Diário de Notícias’, que lhe atribui 65,4% das intenções de voto após distribuição de indecisos. André Ventura surge bastante atrás, com 30,3%, num cenário que aponta para uma vantagem confortável do antigo secretário-geral do PS.

O estudo indica ainda que 3,3% dos inquiridos tencionam votar em branco e 1,1% admitem votar nulo. A sondagem foi realizada junto de 607 eleitores, entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro, com uma margem de erro de quatro pontos percentuais, o que reforça a robustez da vantagem atribuída a Seguro.

Apesar de o trabalho de campo não refletir totalmente o impacto do mau tempo que tem afetado várias regiões do país, nomeadamente ao nível da abstenção, estimada em 23,2%, a diferença de 35,1 pontos percentuais entre os dois candidatos afasta dúvidas quanto ao vencedor. Ainda assim, os resultados permitem a André Ventura cumprir um dos principais objetivos da sua campanha: afirmar-se como líder da direita, podendo ultrapassar a fasquia alcançada pela AD nas legislativas de 2025.

Quando questionados sobre quem acreditam que vencerá a eleição, 75% dos inquiridos apontam António José Seguro como futuro Presidente da República, contra apenas 17% que veem André Ventura como vencedor. Apenas entre os eleitores do Chega na primeira volta o líder do partido surge à frente nesta perceção, embora por uma margem curta, enquanto entre os votantes de Seguro o consenso é praticamente total.

A confiança na vitória do candidato socialista é transversal aos vários segmentos do eleitorado, sendo particularmente elevada entre os eleitores das classes A/B e C1 e entre os mais velhos, com idades superiores a 50 anos. Já André Ventura obtém melhores resultados entre os eleitores da Classe D, nos grupos etários intermédios e nas regiões do Sul e Ilhas, onde Seguro regista o seu desempenho menos expressivo.

Transferência de votos favorece Seguro

A larga vantagem de António José Seguro resulta, em grande medida, da transferência de votos dos candidatos eliminados na primeira volta. Entre os eleitores de Marques Mendes, mais de 80% optam agora pelo socialista, enquanto apenas uma minoria declara intenção de votar em André Ventura ou de anular o voto. Um padrão semelhante verifica-se entre os eleitores de Gouveia e Melo.

Já no eleitorado de João Cotrim de Figueiredo, a divisão é maior, embora Seguro mantenha vantagem clara. A maioria dos votantes em branco, nulo ou em candidatos de esquerda na primeira volta tende igualmente a apoiar o antigo líder do PS, enquanto Ventura apenas consegue vantagem expressiva entre os eleitores que se abstiveram inicialmente.

A análise por voto partidário nas legislativas de 2025 mostra que Seguro concentra o apoio esmagador dos eleitores do PS, mas também recolhe uma maioria significativa entre votantes da AD e da Iniciativa Liberal, além de captar praticamente todo o eleitorado do Bloco de Esquerda, da CDU e do Livre. Ventura, por seu lado, mantém o apoio quase total do eleitorado do Chega e assegura uma fatia relevante da AD e da Iniciativa Liberal.

Seguro ganha força entre os mais jovens

Um dos dados mais relevantes desta sondagem é o desempenho de António José Seguro junto do eleitorado mais jovem. Entre os eleitores com idades entre os 18 e os 34 anos, o socialista regista o seu nível mais elevado de apoio, contrariando tendências anteriores. André Ventura, pelo contrário, obtém neste grupo o seu pior resultado, reforçando-se sobretudo entre os eleitores dos 35 aos 49 anos.

Do ponto de vista territorial, o Norte surge como a região mais favorável a Seguro, com uma vantagem muito expressiva, enquanto o Sul e Ilhas e a Área Metropolitana de Lisboa apresentam cenários mais equilibrados, embora sempre com o socialista à frente. Este padrão confirma a consistência do favoritismo de Seguro a nível nacional, como sublinha o Jornal de Notícias.

Cenário mantém-se estável face à primeira volta

O confronto entre António José Seguro e André Ventura já tinha sido antecipado em sondagens anteriores, e o atual cenário pouco se alterou desde então. Entre os diferentes cenários de segunda volta testados antes da primeira votação, este era o mais favorável ao candidato socialista, que manteria vantagem clara também frente a outros adversários potenciais.

Para André Ventura, este continua a ser o embate mais difícil, apesar de o líder do Chega poder alcançar um resultado histórico para o seu partido. A segunda volta poderá, assim, permitir que ambos atinjam objetivos políticos distintos: a eleição para Seguro e a consolidação eleitoral de Ventura.

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