Mau tempo. Seguradoras temem fatura histórica de pelo menos 500 milhões de euros

Força da tempestade derrubou árvores, postes de eletricidade e telecomunicações, arrancou telhados e causou danos significativos em unidades fabris, atingindo de forma direta regiões com forte concentração industrial, como o concelho de Leiria

Revista de Imprensa
Fevereiro 5, 2026
8:47

A tempestade Kristin provocou ventos sem precedentes em Portugal e deixou um rasto de destruição particularmente severo no setor industrial, fazendo disparar a fatura dos prejuízos. A contabilização ainda está em curso, mas as seguradoras admitem que os custos possam aproximar-se dos 500 milhões de euros, ou até ultrapassar esse valor, de acordo com o ‘Jornal de Negócios’.

A força da tempestade derrubou árvores, postes de eletricidade e telecomunicações, arrancou telhados e causou danos significativos em unidades fabris, atingindo de forma direta regiões com forte concentração industrial, como o concelho de Leiria. Segundo fontes do setor segurador, a resposta foi imediata, com peritos a deslocarem-se para o terreno logo após a madrugada do fenómeno meteorológico, sobretudo para dar resposta aos casos mais urgentes relacionados com habitações.

Até ao momento, as seguradoras já receberam entre 40 mil e 50 mil participações de sinistros associados à tempestade. A maioria refere-se a seguros multirriscos habitação, bem como a alguns danos em automóveis, tratando-se, em geral, de sinistros de menor valor unitário. Estes são habitualmente os primeiros a serem comunicados, explicam responsáveis do setor.

Apesar do elevado número de participações, os grandes prejuízos ainda estão por apurar. Falta, segundo as seguradoras, o impacto dos chamados grandes segurados, nomeadamente empresas e infraestruturas críticas. Há danos significativos em redes de eletricidade e transporte de energia, como as da E-Redes e da REN, mas o peso maior estará nas empresas industriais, onde o número de participações é menor, mas os montantes das indemnizações podem ascender a vários milhões de euros por unidade.

Fontes do setor sublinham que a dimensão do impacto não é comparável à tempestade Leslie. Enquanto nesse caso os eventos foram mais dispersos e com valores relativamente reduzidos, a Kristin afetou simultaneamente um grande número de empresas, concentradas em zonas industriais estratégicas. Por isso, admitem que as perdas totais possam ser quatro ou cinco vezes superiores às registadas com o Leslie, podendo mesmo ultrapassar os dois mil milhões de euros.

Para os profissionais do setor segurador, trata-se potencialmente do evento mais grave alguma vez registado em Portugal, dada a escala e a intensidade da destruição. Uma parte significativa da fatura não será suportada diretamente pelas seguradoras nacionais, mas pelas resseguradoras internacionais, que assumem riscos de grande dimensão para garantir a solvência do sistema.

Quebra de atividade agrava impacto económico

Para além dos danos materiais, os prejuízos mais elevados podem resultar da quebra de atividade. Muitas empresas não têm cobertura para perdas de exploração nos seus seguros multirriscos industriais, mas algumas, sobretudo multinacionais instaladas nas zonas mais afetadas, dispõem desse tipo de proteção. São poucas apólices, mas com impacto financeiro elevado, referem fontes do setor.

Embora parte das indemnizações venha a ser compensada por apoios públicos, nomeadamente através de linhas de crédito garantidas pelo Banco Português de Fomento, a recuperação da atividade económica deverá ser lenta. As empresas enfrentam dificuldades adicionais devido à dependência de componentes provenientes de cadeias de abastecimento internacionais, o que prolonga os tempos de retoma.

Segundo responsáveis ouvidos pelo Jornal de Negócios, o maior risco reside precisamente na duração dessa recuperação. Algumas empresas poderão não conseguir retomar a atividade, transformando a tempestade Kristin num ponto de rutura definitivo para parte do tecido industrial nacional.

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