Mais de dois mil profissionais de saúde reformaram-se do Serviço Nacional de Saúde em 2025, um número que está a gerar forte preocupação entre as ordens profissionais. De acordo com o Diário de Notícias, ao todo reformaram-se 2419 trabalhadores, com destaque para 570 médicos especialistas e 541 enfermeiros.
No final do ano, o SNS contabilizava 154.977 profissionais, o valor mais elevado da última década, registando um crescimento de 2,6% face a 2024. Segundo o DN, também aumentou o número de médicos especialistas e de enfermeiros, o que levou a Adminisptração Central dos Sistemas de Saúde a defender que existe uma tendência positiva no reforço de recursos humanos.
Apesar disso, os bastonários dos médicos e dos enfermeiros alertam que os números globais escondem um problema estrutural grave. Carlos Cortes sublinha que o impacto das reformas será “brutal”, sobretudo num país onde cerca de 1,6 milhões de pessoas continuam sem médico de família e a população está cada vez mais envelhecida.
Embora o número de reformas médicas em 2025 seja inferior ao registado nos anos anteriores, o bastonário da Ordem dos Médicos considera que a saída de 570 especialistas continua a ser muito significativa, especialmente nos cuidados de saúde primários e nas urgências, áreas já fortemente pressionadas.
Do lado da enfermagem, a situação é igualmente preocupante. De acordo com o Diário de Notícias, em 2025 reformaram-se mais enfermeiros do que em 2023 e 2024, incluindo um aumento dos pedidos de reforma antecipada. Luís Filipe Barreira recorda que já em 2023 faltavam cerca de 14 mil enfermeiros no SNS.
Os dois bastonários alertam que, sem substituição adequada, os profissionais que ficam no sistema acumulam mais trabalho, enfrentam maior desgaste e chegam mais rapidamente à exaustão, o que acaba por comprometer a qualidade dos cuidados prestados à população.
Segundo o DN, ambos defendem a necessidade urgente de um plano estruturado de recrutamento e retenção de profissionais, alertando que o aumento total de trabalhadores no SNS, por si só, não é suficiente para preparar o sistema de saúde para os desafios futuros.














