A Rússia iniciou a renovação de uma guarnição militar abandonada desde a década de 1990, localizada em Rybka, perto da cidade de Petrozavodsk, a cerca de 160 quilómetros da fronteira finlandesa. O movimento ocorre num contexto de crescente tensão com o Ocidente, por entre receios de que uma eventual derrota ucraniana possa facilitar uma agressão russa contra países da fronteira leste da NATO, incluindo a Finlândia.
Imagens de satélite divulgadas pela emissora finlandesa ‘YLE’ mostram alterações significativas na área desde o verão de 2024. Uma zona florestal degradada foi desmatada, e, em outubro de 2025, mais de 50 veículos militares já se encontravam estacionados na guarnição, segundo o levantamento de satélite.
Preparação do 44º Corpo de Exército
A cidade de Petrozavodsk é a sede do 44º Corpo de Exército, criado pela Rússia na República da Carélia em 2024. Embora o corpo conte com 15.000 soldados designados, a maior parte foi destacada para a Ucrânia, e apenas alguns elementos permanecem na região.
O especialista militar finlandês Marko Eklund indicou à ‘YLE’ que os veículos reunidos na guarnição de Rybka sugerem a formação de uma brigada blindada destinada a fornecer transporte ao novo corpo do exército. “A guarnição em Rybka é insuficiente para o corpo do exército, portanto grandes projetos de construção são esperados na Carélia”, afirmou Eklund.
Apoio local e expansão das guarnições
Altos funcionários de Petrozavodsk e da República da Carélia confirmaram à imprensa regional que a construção das novas instalações começará ainda este ano. Nadezhda Dreyzis, presidente da câmara municipal, declarou que a região recebeu “uma tarefa de grande responsabilidade: ser o posto avançado do nosso país na fronteira da NATO”, garantindo apoio total às obras.
Artur Parfentšikov, chefe da República da Carélia, acrescentou que “somos a favor da cooperação, mas se os nossos vizinhos se comportarem de certa maneira, haverá uma resposta”.
Presença militar e reforços na região
Atualmente, a República da Carélia alberga entre 2.500 e 3.000 militares, a maioria na Força Aérea, com 80 caças Su-35S no aeroporto de Petrozavodsk. Um depósito local armazena cerca de 2.000 tanques, veículos e sistemas de artilharia, muitos da era soviética, enquanto o Regimento Radiotécnico opera cerca de 10 estações de radar na região.
O reforço militar não se limita a Rybka. Em Kandalaksha, próximo do Círculo Polar Ártico, avançam obras de uma brigada de artilharia e uma brigada de engenharia, com edifícios a ser erguidos desde maio. Mais a sul, em Luga, a brigada de infantaria motorizada foi transformada numa divisão de cerca de 10.000 homens.
Implicações estratégicas
Embora o ritmo de desenvolvimento seja limitado pela guerra em curso na Ucrânia, a direção é clara. A inteligência militar finlandesa estima que “à medida que a mudança progride, a capacidade da Rússia de travar uma guerra na direção da Finlândia melhorará significativamente”, segundo o último relatório da ‘YLE’.
A expansão da guarnição de Rybka e a reativação de instalações soviéticas reforçam a capacidade russa na fronteira ocidental com membros da NATO, sinalizando uma presença militar mais robusta junto à Finlândia.
Russia is reactivating a former Soviet military base in Petrozavodsk near the Finnish border.
Satellite imagery indicates extensive site clearing and the deployment of equipment, suggesting a major restoration and expansion of the facility. pic.twitter.com/6p21pSYn9i
— AlexandruC4 (@AlexandruC4) January 31, 2026













