Presidenciais: Seguro ganhou em 73% dos concelhos e Ventura em 25% na primeira volta

António José Seguro, com 31,1% dos votos na primeira volta, ganhou em 73% dos concelhos portugueses, enquanto André Ventura, com 23,5%, conseguiu mais votos em 25% dos municípios.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 31, 2026
10:21

António José Seguro, com 31,1% dos votos na primeira volta, ganhou em 73% dos concelhos portugueses, enquanto André Ventura, com 23,5%, conseguiu mais votos em 25% dos municípios.

Análise feita a partir dos dados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna – Administração Eleitoral.

+++ Seguro ganha em 225 concelhos e Ventura em 80 +++

O candidato António José Seguro ganhou em 225 dos 308 concelhos e ficou em segundo lugar em 73, em terceiro em nove e em quarto em Vagos.

André Ventura venceu em 80 concelhos e em 210 ficou em segundo. Em 17 ficou em terceiro e ficou em quarto em apenas um (Oeiras).

+++ Seguro teve mais de 40% dos votos em 15 concelhos, Ventura em apenas um +++

António José Seguro recolheu mais de 40% dos votos em 15 concelhos na primeira volta, enquanto André Ventura conseguiu esse resultado em apenas um (São Vicente).

O ex-líder do PS ganhou em Penamacor, onde teve o seu recorde, com 71%, seguindo-se Belmonte (46,8%), Idanha-a-Nova (45,6%), Gavião (45,3%), Covilhã (44,9%), Baião (44,8%) e Caldas Rainha (44,4%).

Nesta lista de 16 concelhos, o candidato e presidente do Chega obteve mais de 40% dos votos apenas em São Vicente (43,5%), onde o partido lidera a autarquia local.

+++ Seguro com vantagem de 148 mil votos em Lisboa e de 60 em Portalegre +++

Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Setúbal foram os distritos onde António José Seguro ganhou a André Ventura com maior margem nas presidenciais de 18 de janeiro.

Já em Portalegre, no Alentejo, apenas 60 votos separaram Seguro (16.600 votos, 31,09%) de Ventura (16.000 votos, 30,9%), um distrito onde o Chega, partido de Ventura, ganhou as legislativas de 2025, com 29,9 %.

Segundo os resultados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna – Administração Eleitoral (SGMAI-AE), em Lisboa António José Seguro teve uma vantagem de 148 mil sobre Ventura, no Porto foi de 110 mil, em Braga mais de 42 mil, em Coimbra foi 34.987 e em Setúbal mais de 33 mil.

No distrito de Lisboa, Seguro ficou em primeiro, seguido de Ventura, Cotrim de Figueiredo em terceiro com 19,3%, Gouveia e Melo em quarto com 12,9% e Marques Mendes com 8,66%.

Os candidatos da esquerda tiveram, no seu todo, menos de 5% – Catarina Martins (BE) 2,14%, António Filipe (PCP) 2,08% e Jorge Pinto (Livre) 0,70%.

+++ Ventura com mais votos do que Seguro em Faro e na Madeira +++

André Ventura ganhou no distrito de Faro, onde o seu partido, o Chega, foi o mais votado nas legislativas de 2025, e na região da Madeira.

A vantagem sobre Seguro em Faro foi de 12.931 votos e na Madeira, governada por um Governo PSD/CDS, foi de 14.214. Na Região Autónoma da Madeira, Marques Mendes, apoiado por sociais-democratas e centristas, obteve 14,6%, João Cotrim de Figueiredo 14,4% e Henrique Gouveia e Melo 8,11%.

+++ Abstenção acima da média nacional em menos de metade dos 308 concelhos +++

A abstenção na primeira volta das presidenciais, em 18 de janeiro, foi superior à média nacional (47,61%) em 136 dos 308 concelhos de Portugal.

O recorde foi de 64,5% em Ribeira Grande, nos Açores, concelho onde ganhou André Ventura, com 36,5%.

+++ Abstenção foi a quinta mais alta desde 1976 +++

A primeira volta das presidenciais deste ano teve uma das taxas de abstenção mais elevadas de sempre em escrutínios deste tipo, com 5.241.267 eleitores a decidirem não votar, que corresponde a 47,61%, mesmo assim abaixo de quatro eleições do género, após o 25 de Abril.

A mais baixa taxa de abstenção de sempre foi em 1980 (15,8%), que deu o segundo mandato a Eanes, numas eleições polarizadas entre esquerda e direita, e em que os quatro mais votados eram militares.

A eleição para o segundo mandato de Cavaco Silva, em 2011, foi a que teve menos adesão de eleitores, com uma taxa de abstenção de 53,5%, depois de as eleições de 1986, esse valor ter sido de apenas 38,5%.

Em 1976, nas primeiras eleições presidenciais após 25 de Abril, ganhas por Ramalho Eanes à primeira volta (61,59%), 75,5% dos eleitores foram votar.

Desde 2011 que as eleições tiveram menos de metade dos eleitores a participar, uma tendência que só foi quebrada este ano, com um número recorde de candidatos na primeira volta.

Na única vez em que as presidenciais tiveram uma segunda volta (1986), a afluência às urnas aumentou, com mais dois pontos percentuais.

+++ Seguro ganha em 84 dos 136 concelhos mais abstencionistas +++

O candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, ganhou a primeira volta de 18 de janeiro na maioria – 84 – dos 138 concelhos, com uma abstenção acima da média nacional (47,61%).

No top 10 dos concelhos mais abstencionistas, Seguro ganhou em sete (Melgaço, Vimioso, Santa Cruz da Graciosa, Vila do Porto, Calheta, Montalegre, Ribeira de Pena).

+++ Ventura ganha em 51 dos concelhos mais abstencionistas +++

Já André Ventura ganhou nos restantes 51 e Marques Mendes em apenas um (Boticas, Vila Real).

Na lista dos 10 concelhos com maior abstenção, Ventura venceu em três (Ribeira Grande, Vila Franca do Campo e Povoação, Açores).

+++ Abstenção é maior nos concelhos mais jovens +++

Numa análise à faixa etária dos eleitores, é evidente uma maior abstenção entre os concelhos mais jovens em comparação com os mais envelhecidos.

O concelho mais envelhecido do país, Oleiros (Castelo Branco), votou em António José Seguro e a abstenção foi de 36,84%, enquanto na Ribeira Grande (Açores) ganhou André Ventura e a abstenção foi de 66,16%, tendências que se repetem nos municípios seguintes neste ‘ranking’.

Nos quatros concelhos com maior e menor densidade populacional do país, ganhou António José Seguro, mas é visível uma maior participação dos eleitores nos municípios com mais pessoas por quilómetro quadrado.

Em Alcoutim, Algarve, no concelho mais despovoado do país, a abstenção foi de 44,27%, valor inferior à média nacional, mas acima da Amadora, o município com maior densidade populacional (40,27%).

Outros concelhos despovoados como Mértola (42,13%) e Idanha-a-Nova (42,47%) têm valores acima dos 40%, e só o quarto com menos densidade populacional é de 35,73%.

No que respeita aos concelhos com mais densidade, a seguir à Amadora, os valores estão todos muito abaixo, Porto (25,49%), Lisboa (33,92%) ou Odivelas (36,89%).

Em Porto Moniz (Madeira), onde ganhou Ventura, o concelho com menor poder de compra ‘per capita’ do país, a abstenção foi de 44,83%, 10 pontos acima de Lisboa, que é o mais rico.

+++ Ventura venceu no concelho menos abstencionista +++

A abstenção mais baixa foi em Vila de Rei (26,3%), onde também ganhou André Ventura, com 27,54%.

Os restantes nove concelhos mais abstencionistas foram ganhos por António José Seguro – Sardoal, Arruda dos Vinhos, Alcochete, Maia, Barcelos, Guimarães, Mação, Vila Nova de Famalicão e Oeiras.

Fontes: Resultados Provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna – Administração Eleitoral e apuramento geral dos resultados do Tribunal Constitucional

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