O Governo vai pagar um total de 17 616 euros brutos por mês a quatro consultores coordenadores nomeados para o grupo de trabalho responsável pela reforma do Estado, depois de cada um passar a auferir 4404 euros mensais em 2026, na sequência da atualização salarial na Administração Pública. O valor individual supera a remuneração base de cargos como diretor-geral e inspetor-geral, reforçando o peso financeiro da nova estrutura criada pelo Executivo.
De acordo com o Correio da Manhã (CM), as nomeações foram formalizadas através de despachos publicados em Diário da República na última quarta-feira e assinados pelos ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, da Presidência, António Leitão Amaro, e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, ficando o grupo de trabalho na dependência direta destes três governantes.
Foram designados João Maria Sequeira Nobre Garcia, Marta Martins Belo, Afonso Maria Torres da Silva Lobo Machado e Frederico Bartolomeu Rebelo de Andrade Perestrelo Pinto, todos em comissão de serviço e em regime de exclusividade de funções, até à extinção do grupo de trabalho. A remuneração atribuída decorre do decreto-lei n.º 67/2024, de 8 de Outubro, correspondendo à posição 68 da tabela remuneratória única da Administração Pública, que passou de 4311 euros em 2025 para 4404 euros em 2026.
Em comparação, no ano passado, o vencimento base de diretores-gerais e inspetores-gerais situava-se nos 4096 euros, acrescidos de 853 euros em despesas de representação, segundo dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público. Quanto ao percurso profissional dos consultores, João Garcia é mestre em Direito pela Maastricht University e licenciado pela Universidade Católica, Marta Belo é mestre e licenciada em Gestão, Afonso Machado é licenciado em Gestão de Informação e Frederico Pinto é mestre e licenciado em Economia, sendo que apenas Marta Martins Belo participou anteriormente em projetos ligados à Administração Pública.
Entretanto, o Bloco de Esquerda questionou formalmente o Governo sobre os critérios utilizados na escolha dos consultores, levantando dúvidas quanto à ausência de experiência relevante na Administração Pública por parte da maioria dos nomeados, ao cumprimento dos requisitos de perfil e experiência profissional exigidos e à fundamentação para o nível salarial atribuído, num requerimento dirigido aos três ministros responsáveis pelas nomeações.














