Roberto Vannacci, eurodeputado e ex-general, prepara-se para lançar o seu próprio partido político, consolidando o afastamento da Liga de Matteo Salvini e potencialmente redesenhando o espaço da extrema-direita em Itália.
Vannacci anunciou o lançamento do novo partido através do Instagram na passada quarta-feira. De acordo com registos de marca, o nome e logótipo do movimento, Futuro Nazionale (Futuro Nacional), já haviam sido registados em 24 de janeiro. O projeto está a ser apresentado pela comunicação social italiana como uma tentativa de criar uma versão italiana do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), propondo uma nova força política à direita de Salvini.
O eurodeputado, figura polarizadora devido às suas posições nacionalistas e anti-imigração, é atualmente vice-secretário da Liga. No entanto, semanas de tensões internas levaram a relações quase irreparáveis dentro do partido. Salvini tinha previsto reunir-se com Vannacci para tentar uma reconciliação, mas o anúncio do novo partido diminui significativamente essa possibilidade, aproximando a Liga de uma potencial cisão.
Vannacci ganhou notoriedade em Itália pela sua presença em palco e pelas opiniões extremas sobre a história do país. Foi criticado por revisionismo histórico, chegando a descrever o ditador Benito Mussolini como um estadista e afirmando que a Marcha sobre Roma de 1922, quando o partido fascista chegou ao poder, “não foi um golpe de Estado, mas apenas uma manifestação de rua”.
O lançamento do Futuro Nazionale não esteve isento de problemas. O logótipo do partido causou imediata confusão, levando o think tank de direita Nazione Futura (Nação Futura), liderado por Francesco Giubilei, a distanciar-se da iniciativa, alegando semelhanças entre os nomes e os logótipos das duas organizações.
No plano político, crescem as dúvidas sobre a viabilidade do projeto de Vannacci. O senador da Liga, Claudio Borghi, afirmou à POLITICO que duvida que o partido venha realmente a ser lançado, referindo que Vannacci já tinha registado um símbolo anteriormente sem dar seguimento ao projeto.
Borghi destacou ainda que Vannacci é “uma pessoa inteligente e leal” que dificilmente romperá com a Liga, sublinhando que a sua eleição para o Parlamento Europeu foi impulsionada pela liderança do partido, que o colocou como primeiro nome na lista de candidatos. Mesmo se o partido se concretizar, Borghi acredita que terá dificuldades em ganhar apoio popular, estimando que poderia atingir apenas 1% de votos, apesar do interesse mediático.














