A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia vai concentrar-se em protesto junto ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, na manhã desta quinta-feira (10h30): em causa estão acusações de o Governo não cumprir o acordo assinado em 2024 para a valorização das carreiras da PSP.
A decisão foi tomada após reunião da direção da ASPP/PSP, que recorda ter abandonado as negociações com o executivo em novembro do ano passado, alegando que o Governo não estava a cumprir as metas estabelecidas no acordo celebrado em julho de 2024. Segundo o sindicato, a falta de respostas após os protestos realizados no final de 2025 junto à residência oficial do primeiro-ministro demonstra uma “ausência total de seriedade” por parte do executivo.
Paulo Santos, dirigente da ASPP/PSP, espera que “o Governo esteja atento a estes protestos porque há uma forte carga de desmotivação dos profissionais”. “Há profissionais a interpelar a ASPP no sentido de poder agir para que não haja aqui um constante corte de direitos e uma desvalorização profissional. Queremos que o Governo perceba aquilo que é a realidade que acontece todos os dias nas esquadras do país e as dificuldades que são inerentes a esta missão policial”, alertou.
Ações de protesto alargam-se em fevereiro
Para além da concentração prevista para o final deste mês, a ASPP/PSP anunciou que irá promover, ao longo de fevereiro, ações em diversos comandos policiais, cujos detalhes serão divulgados oportunamente. Estas iniciativas terão como objetivo o levantamento de debilidades estruturais, condições de trabalho e alegadas violações de direitos, que serão posteriormente tornadas públicas.
O maior sindicato da PSP decidiu ainda organizar uma concentração de polícias durante a realização de um Conselho de Ministros, bem como assegurar a presença de profissionais da força de segurança nas galerias da Assembleia da República durante um debate quinzenal.
Críticas à política salarial e às pré-aposentações
A direção da ASPP/PSP acusa o Governo de manter uma postura de desvalorização salarial e de estar a bloquear os processos de pré-aposentação, além de promover cortes nas folgas dos profissionais. Para o sindicato, estas medidas representam um desrespeito direto pelo acordo firmado em julho de 2024.
Apesar do clima de tensão, a direção sindical afirma manter-se disponível para retomar o diálogo com o Governo, desde que o executivo “cumpra a palavra dada” e apresente uma proposta concreta que reflita o que foi acordado. Caso contrário, a ASPP/PSP admite avançar com concentrações em eventos de relevo nacional, protestos junto ao Ministério da Administração Interna e a organização de uma manifestação nacional de polícias.














