A passagem da depressão Kristin por Portugal continental ficou marcada por rajadas de vento de intensidade extrema, com um máximo de 176 km/h registado na Base Aérea de Monte Real, no distrito de Leiria, confirmou fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) à ‘Executive Digest’. A rajada foi registada perto das 5 horas desta quarta-feira, num dos valores mais elevados observados durante o episódio meteorológico, por uma estação meteorológica que não pertence ao IPMA – o valor exato será confirmado ainda esta quarta-feira.
O Cabo Carvoeiro registou velocidade mais elevada registada numa estação do IPMA durante o mau tempo da última madrugada (149 km/h), existindo outras estações de outras entidades que poderão ter registado valores diferentes.
À mesma hora, o aeródromo de Leiria registou uma rajada de 142 km/h, enquanto no Cabo Carvoeiro foram medidos ventos a atingir os 149 km/h por volta das 4 horas. O IPMA registou ainda rajadas de 146 km/h em Ansião e de 137 km/h em Castelo Branco, evidenciando a extensão geográfica e a severidade do fenómeno.
Fenómeno extremo provoca milhares de ocorrências
O vento forte associado à depressão Kristin esteve na origem de cerca de 2.600 ocorrências em Portugal continental entre a meia-noite e as 10:30, sobretudo quedas de árvores, colapsos de estruturas e inundações. As zonas mais afetadas foram os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa e Santarém, de acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
A adjunta do Comando Nacional de Operações da ANEPC, Daniela Fraga, classificou a situação como um fenómeno extremo, com múltiplas ocorrências em simultâneo, sublinhando que os operacionais estão no terreno desde o início da noite. A responsável admitiu que a reposição da normalidade será difícil, face aos constrangimentos nas comunicações, vias de circulação e distribuição de energia elétrica.
Duas mortes e planos de emergência ativados
A depressão Kristin causou duas mortes, uma em Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, devido à queda de uma árvore sobre um veículo, e outra em Monte Real, no distrito de Leiria, provocada pela queda de uma estrutura. As sub-regiões mais afetadas incluem Leiria, Coimbra, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro.
Perante a gravidade da situação, foi ativado o plano distrital de Coimbra e vários planos municipais, incluindo nos concelhos de Coimbra, Mira, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Lourinhã, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Proença-a-Nova, Castelo Branco e Sertã. A Proteção Civil mantém o estado de prontidão especial de nível 4, o mais elevado, pelo menos até ao final da tarde, podendo ser prolongado em função da evolução das condições meteorológicas.














