Um estudo liderado por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO), desenvolveu uma combinação tripla de medicamentos capaz de eliminar completamente tumores pancreáticos em modelos animais, sem causar efeitos colaterais e com resultados duradouros.
A terapia atua sobre três alvos-chave: o oncogene KRAS, principal responsável pelo desenvolvimento do cancro pancreático, e as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas nos sinais que promovem a multiplicação das células tumorais. Os resultados foram publicados na revista científica ‘PNAS’ e apresentados pela CRIS Cancer Foundation, referência em investigação oncológica e hematológica.
Nas experiências, os tumores desapareceram em todos os modelos de ratos de laboratório, e, após mais de 200 dias sem tratamento, os animais mantiveram-se livres da doença, sem qualquer toxicidade associada à terapia.
“Pela primeira vez, conseguimos uma resposta completa, duradoura e de baixa toxicidade contra o cancro pancreático em modelos experimentais. Estes resultados sugerem que uma estratégia racional de terapias combinadas pode transformar o curso deste tumor”, afirmou Barbacid.
A soprano Cristina Domínguez, diagnosticada com cancro de pâncreas em 2015, participou da apresentação dos resultados e destacou o impacto da pesquisa para pacientes: “Cada avanço científico significa mais dias, mais vida e um futuro mais promissor. Investir em investigação não é uma opção, é uma necessidade vital. O cancro mostra que a ciência não é luxo nem retórica vazia.”
Um dos cancros mais agressivos
O adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC) é um dos tumores mais agressivos e complexos da medicina moderna, representando a maioria dos cancros de pâncreas. Segundo a Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), são diagnosticados mais de 10.000 casos por ano em Espanha, número que tem vindo a crescer na última década. A taxa de sobrevivência a cinco anos permanece baixa, entre 8% e 10%, refletindo a elevada mortalidade deste tipo de tumor.
Próximos passos rumo a ensaios clínicos
A equipa liderada por Barbacid aponta para a necessidade de ensaios clínicos que validem a eficácia da terapia em humanos. Espera-se que o inibidor de KRAS possa ser testado entre 2026 e 2027, enquanto os degradadores de STAT3, atualmente em investigação para leucemia mieloide aguda, poderão ser incorporados em estratégias combinadas.
Os resultados do estudo representam um potencial ponto de viragem no tratamento do cancro pancreático, oferecendo uma abordagem com cura completa em modelos experimentais, baixa toxicidade e durabilidade, além de apresentar uma estratégia plausível para futura aplicação em pacientes.














