Sarampo volta a circular: seis países europeus perdem estatuto de ‘livres da doença’

De acordo com a OMS, um país perde o estatuto de eliminação do sarampo quando o vírus regressa e a transmissão se mantém de forma contínua durante mais de um ano

Francisco Laranjeira
Janeiro 27, 2026
13:59

O sarampo deixou de ser considerado eliminado em seis países europeus e da Ásia Central, após um aumento expressivo de casos em 2024. Arménia, Áustria, Azerbaijão, Espanha, Reino Unido e Usbequistão voltaram a registar transmissão endémica da doença, anunciou a Organização Mundial da Saúde, citada pela ‘Euronews’.

De acordo com a OMS, um país perde o estatuto de eliminação do sarampo quando o vírus regressa e a transmissão se mantém de forma contínua durante mais de um ano. O ressurgimento da doença está diretamente ligado à quebra das taxas de vacinação, num contexto que preocupa as autoridades de saúde pública em toda a região.

Falhas na vacinação explicam ressurgimento

A OMS alerta que o sarampo é frequentemente a primeira doença a reaparecer quando a cobertura vacinal diminui, sinalizando fragilidades mais amplas nos sistemas de imunização. “Com vigilância reforçada, melhor resposta a surtos e esforços dirigidos para chegar a comunidades insuficientemente vacinadas, todos os países podem alcançar e manter a eliminação”, afirmou Bhanu Bhatnagar, porta-voz da OMS na Europa, em declarações à ‘Euronews’.

Os dados revelam uma tendência preocupante em vários países. Em Inglaterra, foram confirmados em laboratório 2.911 casos de sarampo em 2024, o número anual mais elevado desde 2012. Já em 2025, foram registados 957 casos, a maioria em crianças com dez anos ou menos.

Em Espanha, os números duplicaram num ano, passando de cerca de 200 casos em 2024 para aproximadamente 400 em 2025, um aumento acentuado face aos apenas 11 casos registados em 2023. A Áustria também registou um forte agravamento, com 542 casos em 2024, contra 186 no ano anterior.

Casos disparam na União Europeia

A situação é ainda mais grave à escala europeia. Em 2024, foram notificados 35.212 casos de sarampo na União Europeia, um aumento de dez vezes face ao ano anterior, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, citados pela ‘Euronews’.

Os bebés com menos de um ano foram o grupo mais afetado, seguidos das crianças entre um e quatro anos. Atualmente, o sarampo é considerado endémico em doze países, incluindo França, Alemanha, Itália, Polónia, Roménia, Rússia, Turquia e Ucrânia.

A Roménia concentrou o maior número de casos, com 30.692 infeções registadas em 2024, comparando com 3.371 no ano anterior.

Doença altamente contagiosa e sem tratamento específico

Com a grande maioria dos casos a ocorrer entre pessoas não vacinadas, a OMS reforça a necessidade de manter uma cobertura mínima de 95% com duas doses da vacina contra o sarampo.

A doença é extremamente contagiosa, estimando-se que cerca de 90% das pessoas não imunes expostas a um doente contraiam a infeção. Os sintomas surgem geralmente entre 10 e 12 dias após o contágio e incluem sinais semelhantes a uma constipação, febre, sensibilidade à luz e uma erupção cutânea vermelha que se espalha pelo corpo.

Não existe cura nem tratamento específico para o sarampo. A doença tende a durar cerca de duas semanas e é eficazmente prevenida através da vacinação completa.

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