O grupo de ataque do superporta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln já chegou ao Oceano Índico e encontra-se em estado de prontidão para apoiar eventuais operações militares dos Estados Unidos contra o Irão, numa altura de crescente tensão entre Washington e Teerão. A presença da força naval ocorre num contexto de intensificação da retórica iraniana e enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, continua a avaliar opções militares, sem que exista, para já, qualquer decisão final.
De acordo com a CNN, o grupo de ataque está agora dentro da área de responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares no Médio Oriente. Apesar disso, fontes sublinham que o porta-aviões ainda não se encontra necessariamente numa posição operacional definitiva, permanecendo a Administração norte-americana em fase de ponderação estratégica.
Um grupo de ataque de porta-aviões inclui normalmente o próprio porta-aviões, cruzadores de mísseis guiados, navios de defesa antiaérea e contratorpedeiros ou fragatas especializadas em guerra antissubmarina. A deslocação do USS Abraham Lincoln para a região já tinha sido noticiada anteriormente, ao mesmo tempo que aliados dos Estados Unidos pressionam Washington a evitar uma escalada militar.
No Irão, a tensão interna agrava-se com o aumento do número de mortos na repressão governamental contra manifestantes. No domingo, a Human Rights Activists News Agency indicou que 5.520 manifestantes foram mortos desde o início dos protestos, no final do mês passado, havendo ainda 17.091 mortes em apuramento. Donald Trump exigiu publicamente o fim do que descreveu como assassínio de manifestantes, ameaçando intervir caso a situação continue, embora tenha admitido recentemente que o Irão “quer conversar”, abrindo a porta a eventuais negociações.
Na segunda-feira, a Casa Branca reiterou estar disponível para dialogar com Teerão, desde que os termos sejam claros. “Estamos disponíveis para negociar, como se costuma dizer, por isso, se quiserem entrar em contacto connosco e souberem quais são os termos, falaremos”, afirmou um responsável norte-americano. Em paralelo, o Irão prepara-se para um eventual ataque, tendo inaugurado em Teerão um mural na Praça da Revolução que retrata caças a sobrevoar um navio de guerra com a bandeira dos EUA.
A liderança iraniana tem reforçado os avisos. Durante as orações de sexta-feira na capital, o imã Mohammad Ali Akbari alertou que “o trilião de dólares que investiram na região está sob a vigilância dos nossos mísseis”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerão é “mais do que capaz” de responder a qualquer agressão com uma resposta “lamentável”, garantindo que “a chegada de um ou mais navios de guerra não afeta a determinação defensiva do Irão”.
As autoridades iranianas sublinham ainda que as capacidades dos seus mísseis aumentaram significativamente desde a guerra de 12 dias com Israel, em junho, durante a qual o Irão lançou múltiplos ataques com mísseis e drones contra alvos israelitas, após um ataque surpresa de Israel que matou comandantes militares e cientistas nucleares iranianos. Os Estados Unidos juntaram-se posteriormente ao conflito, atingindo instalações nucleares no Irão. O país dispõe de um vasto arsenal de mísseis balísticos e de drones usados também fora da região, incluindo na guerra da Ucrânia, e mantém uma rede de grupos armados aliados, como o Kataeb Hezbollah, cujo comandante apelou no domingo a uma “guerra total em apoio da República Islâmica do Irão”.














