Índia anuncia hoje corte de tarifas sobre carros da União Europeia para 40% em acordo histórico

A Índia está prestes a anunciar hoje, terça-feira, uma redução significativa das tarifas sobre automóveis importados da União Europeia, numa medida que poderá abrir de forma inédita o mercado automóvel indiano a fabricantes europeus.

Pedro Gonçalves
Janeiro 27, 2026
7:30

A Índia está prestes a anunciar hoje, terça-feira, uma redução significativa das tarifas sobre automóveis importados da União Europeia, numa medida que poderá abrir de forma inédita o mercado automóvel indiano a fabricantes europeus. Segundo fontes envolvidas nas negociações, a tarifa sobre carros importados com preço superior a 15 mil euros será reduzida imediatamente para 40%, face aos atuais níveis que podem chegar aos 110%.

Esta decisão surge no contexto do fecho de um acordo de livre comércio entre a Índia e a União Europeia, designado por alguns analistas como “o acordo-mãe de todos os acordos”. A implementação desta redução terá um impacto direto em construtoras europeias como Volkswagen, Renault, Mercedes-Benz e BMW, que até agora enfrentaram dificuldades para expandir a sua presença no mercado indiano devido a elevados impostos de importação.

De acordo com fontes que pediram anonimato devido à confidencialidade das negociações, a tarifa aplicada aos automóveis importados será inicialmente reduzida para 40%, com perspetiva de descer gradualmente até 10% ao longo do tempo. A quota inicial abrangerá cerca de 200 mil veículos por ano, exclusivamente de motores de combustão interna, deixando fora desta primeira fase os veículos elétricos (EVs) durante os primeiros cinco anos, de forma a proteger os investimentos de empresas locais como Mahindra & Mahindra e Tata Motors. Após este período, os EVs deverão seguir cortes tarifários semelhantes.

“A redução imediata permitirá aos construtores europeus testar o mercado com uma gama mais ampla de modelos antes de decidirem aumentar a produção local”, afirmou uma das fontes que acompanha as negociações.

O impacto esperado no mercado automóvel indiano
Atualmente, a Índia é o terceiro maior mercado automóvel do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, com uma produção anual de 4,4 milhões de unidades. O mercado local é dominado por marcas como Suzuki, Mahindra e Tata, responsáveis por cerca de dois terços das vendas, enquanto os fabricantes europeus detêm menos de 4%. A abertura do mercado e a redução das tarifas poderão alterar significativamente esta estrutura, permitindo a entrada de modelos importados a preços mais competitivos.

“O acordo poderá impulsionar não só os construtores europeus, mas também aumentar a exportação de produtos indianos, incluindo têxteis e joalharia, atualmente afetados por tarifas elevadas aplicadas pelos EUA”, acrescentaram as fontes.

Acordo de livre comércio em fase de conclusão
O governo indiano, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, deverá anunciar hoje oficialmente a conclusão das negociações com a União Europeia, após anos de conversações. Este acordo de livre comércio visa expandir o comércio bilateral, reduzir barreiras tarifárias e fomentar investimentos em ambos os lados, sendo considerado um dos mais ambiciosos entre a Índia e parceiros internacionais.

Segundo as mesmas fontes, os detalhes finais ainda podem sofrer ajustes de última hora, mas a assinatura formal do pacto deverá ocorrer nas próximas semanas, com início gradual da implementação das tarifas reduzidas.

Perspetivas para os próximos anos
O mercado automóvel indiano deverá continuar a crescer de forma acelerada, com previsões a indicar um aumento para 6 milhões de unidades por ano até 2030. Construtoras europeias como Renault e Volkswagen estão já a preparar novos investimentos e estratégias para expandir a sua presença, incluindo o regresso da Renault ao país com uma abordagem focada em crescimento fora da Europa e a expansão da Skoda pela Volkswagen.

Esta abertura histórica do mercado poderá redefinir a dinâmica competitiva no setor automóvel indiano, ao mesmo tempo que cria oportunidades significativas para a indústria europeia.

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