O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, respondeu às críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, feitas durante o Fórum Económico Mundial em Davos, acusando o líder ucraniano de atacar pessoalmente a Hungria e os líderes europeus ao exigir mais ajuda.
“Ontem, em Davos, o presidente Zelensky ultrapassou os limites… Ele disse que o apoio enviado à Ucrânia é insuficiente, as armas são insuficientes e a determinação da Europa é insuficiente”, afirmou Orbán através da sua conta no X (antigo Twitter), na sexta-feira, segundo o ‘Kyiv Post’.
🇭🇺 Hungary votes soon. The stakes go far beyond our borders. Ukraine sees us as the obstacle standing between them and EU membership. They want us out of the way.
We stand for a patriotic government. Our own people come first, no exceptions.
❌ NO to Ukraine’s accession.
❌ NO… pic.twitter.com/tkMpePFhMK— Orbán Viktor (@PM_ViktorOrban) January 23, 2026
Durante o seu discurso em Davos, Zelensky descreveu a União Europeia como “um belo, porém fragmentado caleidoscópio de pequenas e médias potências”, alegando que o bloco europeu não está preparado para enfrentar a agressão russa e outros riscos globais. O presidente ucraniano criticou ainda a NATO, considerando que a aliança se baseia demasiadamente na “fé” em vez de na ação, e sublinhou a falta de apoio da Europa a movimentos pró-democracia, citando os protestos na Bielorrússia em 2020 como exemplo.
Orbán ridicularizou os compromissos financeiros da UE com a Ucrânia — 800 mil milhões de euros para desenvolvimento e 700 mil milhões de euros para despesas militares na próxima década — e reiterou que a Hungria não arcará com os custos da guerra. “Nosso povo não terá de arcar com os custos”, reforçou num tweet subsequente.
Numa mensagem pessoal a Zelensky, Orbán escreveu: “Parece-me que não conseguiremos chegar a um entendimento. Sou um homem livre a serviço do povo húngaro. Você está numa situação desesperadora… Portanto, por mais que me lisonjeie, não podemos apoiar os seus esforços de guerra”, segundo o ‘Kyiv Post’.
Desde o início da invasão russa em larga escala, Orbán tem mantido laços mais estreitos com Moscovo do que a maioria dos líderes da UE e da OTAN, criticando regularmente o financiamento europeu à Ucrânia. A Hungria continua fortemente dependente da energia russa, mesmo com os esforços da União Europeia para reduzir essa dependência, e Orbán questiona a eficácia da ajuda militar ocidental, apesar dos sucessos ucranianos em atacar infraestruturas russas.














