“Hungria não vai pagar”: Orbán reage a críticas à Europa de um “desesperado” Zelensky

Durante o seu discurso em Davos, Zelensky descreveu a União Europeia como “um belo, porém fragmentado caleidoscópio de pequenas e médias potências”, alegando que o bloco europeu não está preparado para enfrentar a agressão russa e outros riscos globais

Francisco Laranjeira
Janeiro 23, 2026
16:11

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, respondeu às críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, feitas durante o Fórum Económico Mundial em Davos, acusando o líder ucraniano de atacar pessoalmente a Hungria e os líderes europeus ao exigir mais ajuda.

“Ontem, em Davos, o presidente Zelensky ultrapassou os limites… Ele disse que o apoio enviado à Ucrânia é insuficiente, as armas são insuficientes e a determinação da Europa é insuficiente”, afirmou Orbán através da sua conta no X (antigo Twitter), na sexta-feira, segundo o ‘Kyiv Post’.

Durante o seu discurso em Davos, Zelensky descreveu a União Europeia como “um belo, porém fragmentado caleidoscópio de pequenas e médias potências”, alegando que o bloco europeu não está preparado para enfrentar a agressão russa e outros riscos globais. O presidente ucraniano criticou ainda a NATO, considerando que a aliança se baseia demasiadamente na “fé” em vez de na ação, e sublinhou a falta de apoio da Europa a movimentos pró-democracia, citando os protestos na Bielorrússia em 2020 como exemplo.

Orbán ridicularizou os compromissos financeiros da UE com a Ucrânia — 800 mil milhões de euros para desenvolvimento e 700 mil milhões de euros para despesas militares na próxima década — e reiterou que a Hungria não arcará com os custos da guerra. “Nosso povo não terá de arcar com os custos”, reforçou num tweet subsequente.

Numa mensagem pessoal a Zelensky, Orbán escreveu: “Parece-me que não conseguiremos chegar a um entendimento. Sou um homem livre a serviço do povo húngaro. Você está numa situação desesperadora… Portanto, por mais que me lisonjeie, não podemos apoiar os seus esforços de guerra”, segundo o ‘Kyiv Post’.

Desde o início da invasão russa em larga escala, Orbán tem mantido laços mais estreitos com Moscovo do que a maioria dos líderes da UE e da OTAN, criticando regularmente o financiamento europeu à Ucrânia. A Hungria continua fortemente dependente da energia russa, mesmo com os esforços da União Europeia para reduzir essa dependência, e Orbán questiona a eficácia da ajuda militar ocidental, apesar dos sucessos ucranianos em atacar infraestruturas russas.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.