Os ateus e pessoas sem filiação religiosa foram o grupo populacional que mais cresceu na Europa entre 2010 e 2020, num período marcado por profundas alterações no mapa religioso do continente. Em 2020, a Europa contava com cerca de 753 milhões de habitantes, de acordo com dados analisados pelo Pew Research Centre e divulgados pela ‘Euronews’.
Nesse ano, dois terços da população europeia identificavam-se como cristãos, representando 67% do total. Um quarto dos europeus afirmava não ter qualquer filiação religiosa, enquanto 6% se identificava como muçulmano.
Apesar de o cristianismo ter crescido a nível global ao longo da década, a tendência europeia foi inversa. Entre 2010 e 2020, a proporção de cristãos no continente caiu de 74% para 67%. “Cerca de duas em cada três pessoas na Europa ainda se identificam como cristãs. Mas em 2010, eram três em cada quatro”, explicou Conrad Hackett, demógrafo sénior do Pew Research Centre.
França e Reino Unido deixaram de ter maioria cristã, uma mudança atribuída sobretudo à crescente descrença religiosa. Também a população judaica registou um recuo, com uma diminuição de 8% em termos absolutos ao longo da década.
Em sentido contrário, três grupos destacaram-se pelo crescimento numérico, liderados pelos ateus e pessoas sem filiação religiosa. Este grupo aumentou 37% em apenas 10 anos, superando o crescimento dos hindus, que subiram 30%, e dos muçulmanos, cujo número aumentou 15,9%. Ainda assim, os hindus representavam apenas 0,3% da população europeia em 2020.
O avanço da descrença religiosa reflete sobretudo mudanças individuais de identidade. “A maior alteração na Europa deveu-se à mudança de religião, ou seja, as pessoas deixaram de se identificar com a religião em que foram criadas”, sublinhou Conrad Hackett, acrescentando que a maioria destas mudanças ocorreu entre pessoas provenientes de contextos cristãos.
Apesar do crescimento absoluto da população muçulmana, o seu peso relativo no conjunto europeu aumentou menos de um ponto percentual ao longo da década, mantendo-se uma minoria no continente.
Diferenças etárias acentuam tendências
O estudo revela também diferenças significativas na idade média entre grupos religiosos. Judeus e cristãos apresentam as médias etárias mais elevadas, com 52 e 45 anos, respetivamente. Os muçulmanos são o grupo mais jovem, com uma idade média de 34 anos, enquanto as pessoas sem filiação religiosa têm uma média de 39 anos.
Segundo o Pew Research Centre, estes dados resultam da combinação de censos e inquéritos nacionais, embora as metodologias variem de país para país. Nem todos os Estados europeus incluem a religião nos seus censos, o que limita comparações diretas, mas não altera a tendência geral de secularização observada no continente.













