A Transtejo/Soflusa vai lançar uma nova ligação fluvial de transporte público de passageiros entre a Margem Sul do Tejo e o Parque das Nações, em Lisboa, numa operação que deverá partir do Montijo, embora possa vir a abranger outros concelhos como o Seixal ou o Barreiro. A decisão final dependerá dos estudos de procura e de navegabilidade que a empresa tem em curso, uma vez que a rota atravessa uma zona com areias e lodos que exige avaliação técnica detalhada.
A informação foi avançada esta quarta-feira pelo presidente do conselho de administração da Transtejo, Rui Rei, durante as comemorações dos 50 anos da empresa, segundo o Público, num evento realizado a bordo de uma das novas embarcações elétricas recentemente adquiridas. Estes navios já asseguram ligações totalmente elétricas entre o Cais do Sodré e o Seixal e passarão também a servir Cacilhas a partir de Fevereiro, estando prevista a entrada em operação de toda a frota até Abril.
Apesar do avanço da frota elétrica, a ligação ao Montijo carece ainda de um novo ponto de carregamento num pontão que terá de ser contratado. “Sem isso, temos dificuldade em ter ali uma operação 100% elétrica”, explicou Rui Rei, sublinhando que a empresa está igualmente a avaliar se a frota actual, composta por 29 embarcações, será suficiente ou se será necessário adquirir novos navios para garantir o futuro serviço ao Parque das Nações.
Na mesma cerimónia, foi também anunciado que os estudos para a criação de uma ligação fluvial entre a Trafaria, em Almada, e Algés, no concelho de Oeiras, já estão concluídos. Esta rota deverá arrancar com ligações experimentais no próximo ano, estando ainda em avaliação a localização do pontão, num processo desenvolvido em articulação com as câmaras municipais de Oeiras e de Lisboa e com a Administração do Porto de Lisboa.
Rui Rei destacou a importância estratégica desta ligação, que permitirá articular, na Margem Sul, com o Metro Sul do Tejo e, em Algés, com a futura Linha Intermodal Ocidental Sustentável (LIOS), que ligará Benfica e Alcântara. A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, manifestou a expectativa de ver a ligação Trafaria-Algés em funcionamento já no próximo ano, defendendo uma política de transportes “eficaz e complementar”, posição partilhada pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
Quanto à ligação fluvial entre a Margem Sul e o Parque das Nações, Rui Rei admitiu que, mesmo sendo considerada uma aposta estratégica, “nunca estará a funcionar antes de 2028”, ficando dependente da validação dos estudos de procura e da disponibilidade de meios. Ainda assim, o gestor sublinhou a racionalidade económica do projeto, lembrando que um único navio pode transportar entre 540 e 700 passageiros, oferecendo uma alternativa eficiente aos autocarros que diariamente ligam a Margem Sul ao terminal do Parque das Nações nas primeiras horas da manhã.




