“Comecei a voar pela carruagem”: o relato do português que sobreviveu à colisão mortal de comboios em Espanha

Num vídeo publicado no Instagram, gravado já a partir de uma cama de hospital, o jovem português contou que seguia no comboio da Renfe acompanhado pela namorada quando ocorreu o embate

Francisco Laranjeira
Janeiro 20, 2026
11:32

Um dos dois portugueses que seguia a bordo do comboio envolvido no grave acidente ferroviário do passado domingo, em Adamuz, na província de Córdova, deu a cara e descreveu publicamente os momentos de terror que viveu. Santiago Salvador, sobrevivente da colisão entre dois comboios de alta velocidade, recorreu às redes sociais para relatar uma experiência que classifica como um “inferno” e que resultou na morte de pelo menos 41 pessoas.

Num vídeo publicado no Instagram, gravado já a partir de uma cama de hospital, o jovem português contou que seguia no comboio da Renfe acompanhado pela namorada quando ocorreu o embate. “Estava com a minha namorada e comecei a voar pela carruagem, parecia que estava num carrossel”, relatou, descrevendo a violência do impacto.

Santiago Salvador sofreu ferimentos ligeiros, com fraturas na tíbia e no perónio, mas sublinha que teve “sorte” em sobreviver. “Por sorte estou vivo”, afirmou, acrescentando que a companheira também escapou sem ferimentos graves. “Foi uma força divina, um milagre estar vivo. Vi muita morte, muitos mortos”, disse, num testemunho marcado pela emoção.

O sobrevivente português frisou ainda o contraste entre a tragédia à sua volta e o facto de ter escapado com vida. “Foi um momento onde vi muita morte”, reforçou, classificando o acidente como “muito trágico”, apesar de garantir que se encontra estável e em recuperação.

Na mensagem dirigida aos seguidores, Santiago Salvador deixou também um apelo pessoal, sublinhando a fragilidade da vida. “A vida é curta. Num dia estamos aqui, no outro estamos no céu. Não foi a minha vez”, afirmou, pedindo que se valorizem mais as relações e o afeto e que se evitem conflitos fúteis.

O acidente ocorreu pelas 19h45 de domingo, no apeadeiro de Adamuz, quando os três últimos vagões de um comboio da empresa privada Iryo, que seguia de Málaga para Madrid, descarrilaram e invadiram a via contrária, colidindo com a frente de um comboio da Renfe que circulava de Madrid para Huelva. Os dois primeiros vagões do comboio da Renfe foram projetados para fora da linha e caíram por um aterro com cerca de quatro metros.

O número de vítimas mortais subiu entretanto para 41, após a localização de mais um corpo sob os destroços, segundo fontes próximas da investigação. Trinta e nove feridos continuam hospitalizados, 13 dos quais, incluindo um menor, permanecem internados em unidades de cuidados intensivos.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, dois cidadãos portugueses estavam envolvidos no acidente e ambos sobreviveram. Uma mulher regressou já a casa, enquanto Santiago Salvador recebeu alta hospitalar após observação e tratamento.

O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional e o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometeu divulgar “com transparência e clareza” as conclusões da investigação a uma tragédia que, afirmou, deixou “dor em toda a Espanha”.

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