Os resultados das eleições presidenciais traduzem-se em subvenções públicas significativamente superiores ao previsto para vários candidatos, com António José Seguro e André Ventura a destacarem-se entre os principais beneficiários do financiamento estatal atribuído em função dos votos obtidos. No total, o montante global destinado a apoiar as campanhas presidenciais ascende a 4,18 milhões de euros, repartidos apenas pelos candidatos que ultrapassaram a fasquia dos 5% dos votos.
De acordo com informação avançada pelo Correio da Manhã, António José Seguro deverá receber 1,56 milhões de euros, um valor cerca de 470 mil euros acima do que tinha sido inicialmente inscrito no orçamento da sua campanha, que apontava para um encaixe de 1,09 milhões. André Ventura, líder do Chega, sai igualmente reforçado: previa arrecadar cerca de 400 mil euros, mas acabará por obter 1,16 milhões de euros, quase o triplo do valor estimado.
Também João Cotrim de Figueiredo registou um desvio positivo relevante. O candidato liberal contava com 350 mil euros, mas a subvenção final deverá atingir 877 mil euros, cerca de meio milhão a mais do que o inicialmente projetado. Henrique Gouveia e Melo foi o candidato com a previsão mais próxima da realidade, tendo orçamentado 700 mil euros e ficando a apenas 10 mil euros desse valor, com saldo ligeiramente favorável.
Em sentido oposto, Luís Marques Mendes vê frustradas as expectativas financeiras da campanha. O antigo dirigente social-democrata tinha inscrito no orçamento um milhão de euros, que seriam integralmente consumidos, mas os resultados eleitorais garantem-lhe apenas 626 800 euros, deixando a campanha com um saldo negativo de 373 200 euros. Ainda assim, integra o grupo de candidatos elegíveis para a subvenção estatal.
O regime de financiamento prevê que 80% da verba seja distribuída proporcionalmente à percentagem de votos e os restantes 20% em partes iguais entre os cinco candidatos que superaram os 5%. A Comissão Nacional de Eleições esclarece que “a subvenção é solicitada ao Presidente da Assembleia da República nos 15 dias posteriores à declaração oficial dos resultados”. Já os candidatos abaixo desse limiar, incluindo os apoiados por PCP, Livre e Bloco de Esquerda, não recebem qualquer apoio, apesar de alguns terem orçamentado receitas significativas.














