A disputa em torno da Gronelândia provocou uma divisão entre os membros da NATO, numa situação que é acompanhada com atenção por Vladimir Putin e Xi Jinping. As intenções do presidente americano Donald Trump de adquirir a maior ilha do mundo geraram resistência entre os parceiros europeus da aliança atlântica, que decidiram enviar tropas para o território autónomo sob soberania dinamarquesa, escreveu a publicação espanhola ’20Minutos’.
Embora a presença militar atual seja simbólica, a ação envia uma mensagem clara aos EUA: nenhum aliado europeu permitirá uma apropriação unilateral da ilha. A iniciativa foi liderada pela Dinamarca, que organiza os exercícios militares ‘Arctic Endurance’ com o objetivo de reforçar a segurança e as capacidades de defesa da região.
França, Alemanha, Suécia e Noruega destacam forças na ilha
O presidente francês, Emmanuel Macron, foi o primeiro a responder ao apelo dinamarquês, destacando cerca de 15 soldados especializados em alta montanha em Nuuk, a capital da Gronelândia. Um segundo contingente de 30 soldados será enviado nos próximos dias, com reforços adicionais previstos para operações terrestres, aéreas e marítimas.
A Alemanha confirmou o envio de 13 militares a bordo de uma aeronave de transporte Airbus A400M, para participar numa missão de reconhecimento que poderá preparar um destacamento mais amplo, incluindo vigilância marítima e aérea. A Suécia e a Noruega também destacaram tropas: Estocolmo enviou vários oficiais e Oslo enviou dois, ambos para avaliações táticas e cooperação com aliados. O Reino Unido participa de forma mais simbólica, com um oficial destacado, segundo confirmou o secretário de Defesa britânico, John Healey.
Operação Resiliência Ártica e capacidades militares na região
A Operação Resiliência Ártica decorre desde a passada quarta-feira e inclui exercícios militares liderados pela Dinamarca, com foco na proteção de infraestruturas críticas, operações navais e emprego de caças na região. O Comando Ártico dinamarquês, com base em Nuuk, mantém cerca de 200 soldados, apoiados por unidades em Daneborg, Mestersvig, Kangerlussuaq, Groennedal e no extremo norte da ilha. A Patrulha Sirius, especializada em monitorização remota, utiliza trenós puxados por cães e veículos motorizados.
Apesar de manter uma base permanente em Pituffik, onde estão entre 150 e 200 soldados, os EUA não participaram destas manobras europeias, nem nos exercícios de setembro de 2025, que mobilizaram mais de 550 militares de diferentes países, incluindo França, Suécia, Noruega e observadores alemães.
O reforço europeu surge num contexto de divergências provocadas pelas declarações de Trump sobre a ilha, contrariando a unidade transatlântica que a NATO procura manter, concluiu o ’20Minutos’.



















