O Kremlin rejeitou esta quinta-feira as alegações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre supostos planos da Rússia e da China de ameaçar ou conquistar a Gronelândia. Moscovo considerou “inaceitável” que o Ocidente continue a sustentar que os dois países representam um risco para a ilha do Ártico e defendeu que a tensão em torno da região revela os “duplos critérios” das potências ocidentais.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, afirmou que “começaram por inventar a ideia de que existiam agressores e, a partir daí, apresentaram-se como os que estão prontos a proteger alguém desses agressores”, numa clara referência às declarações norte-americanas, embora sem mencionar Trump diretamente. A responsável insistiu que “nem a Rússia nem a China” anunciaram qualquer intenção de atacar ou assumir controlo da Gronelândia e reforçou que “não há factos que apontem para planos agressivos da Rússia e da China, nem pode haver”.
Quando questionada pela agência Reuters sobre as ambições russas na Gronelândia, Maria Zakharova respondeu com ironia dirigida ao presidente norte-americano: “Porque não perguntam ao Trump? Não há factos que apontem para planos agressivos da Rússia e da China, nem pode haver”.
Na segunda-feira, Pequim também se pronunciou sobre a polémica. O Governo chinês apelou aos Estados Unidos para que não utilizem outros países como justificação para prosseguir os seus próprios interesses e garantiu que a presença chinesa no Ártico tem como objetivo promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável da região.
A porta-voz russa criticou ainda a postura ocidental em relação à Gronelândia, sublinhando que “o momento atual mostra, de forma particularmente evidente, a incoerência daquilo que o Ocidente chama de ‘ordem mundial baseada em regras’”. Com um tom sarcástico, Zakharova concluiu: “Provem do que cozinharam, só não se engasguem”.
Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos tem repetidamente afirmado que Washington deve assegurar o controlo da Gronelândia. Trump argumenta que, caso os EUA não avancem, Rússia e China o farão, e que os norte-americanos não querem esses países como “vizinhos”. Estas declarações intensificaram as tensões diplomáticas em torno da região ártica, uma área estratégica tanto do ponto de vista militar como económico.














