Execução de Erfan Soltani está iminente: morte do jovem de 26 anos expõe repressão brutal no Irão

Erfan Soltani foi detido na passada semana em Karaj, nos arredores de Teerão, numa fase de grande intensificação dos protestos antigovernamentais

Francisco Laranjeira
Janeiro 14, 2026
10:34

A execução de Erfan Soltani, um jovem iraniano de 26 anos detido durante a recente vaga de protestos no Irão, poderá ocorrer já esta quarta-feira, segundo alertas de várias organizações internacionais de direitos humanos. O caso está a gerar forte preocupação internacional e surge num contexto de repressão violenta das manifestações que desafiam o regime liderado pelo ayatollah Ali Khamenei.

Erfan Soltani foi detido na passada semana em Karaj, nos arredores de Teerão, numa fase de grande intensificação dos protestos antigovernamentais. De acordo com relatos recolhidos por organizações de defesa dos direitos humanos, o jovem terá sido preso dentro de casa, rapidamente julgado e condenado à morte, num processo descrito como sumário, opaco e sem garantias mínimas de defesa.

Segundo as mesmas fontes, Soltani não teve acesso a advogado, não foi realizada qualquer audiência judicial formal e a sua família foi mantida sob forte pressão. A sentença terá sido comunicada poucos dias após a detenção, tendo os familiares recebido autorização apenas para uma curta visita de despedida, de cerca de dez minutos, antes da execução prevista.

Quem era Erfan Soltani

Erfan Soltani trabalhava na indústria do vestuário e era descrito por pessoas próximas como alguém apaixonado por moda. Tinha iniciado recentemente funções numa empresa privada do setor. A sua ligação aos protestos terá sido suficiente para as autoridades o associarem às manifestações que se alastraram por várias cidades iranianas.

A irmã de Soltani, que é advogada, terá sido impedida de aceder ao processo por vias legais, reforçando as denúncias de violação do direito ao contraditório e de ausência de um julgamento justo. As acusações concretas contra o jovem não foram tornadas públicas, mas organizações de direitos humanos referem que os manifestantes têm sido frequentemente classificados como “inimigos de Deus”, um enquadramento jurídico que pode levar à pena de morte.

Protestos com milhares de mortos e detenções

A iminente execução de Erfan Soltani surge num contexto de repressão generalizada. Desde o início dos protestos, há pouco mais de duas semanas, estimativas apontam para mais de dois mil mortos e dezenas de milhares de detenções. Relatos no terreno dão conta de forças de segurança a disparar sobre multidões, com testemunhas a descreverem manifestantes a cair onde se encontravam.

Organizações internacionais alertam para o risco de execuções em massa de manifestantes e apelam a uma resposta urgente da comunidade internacional. O Irão é já um dos países que mais recorre à pena de morte a nível mundial, com mais de 1.500 execuções registadas no último ano, ficando apenas atrás da China.

O caso de Erfan Soltani poderá tornar-se simbólico por representar uma das primeiras execuções ligadas a esta nova vaga de protestos, alimentando o receio de que o regime esteja a recorrer novamente a condenações exemplares para travar a contestação popular.

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