Do Nobel à Casa Branca: Trump e María Corina Machado reúnem-se hoje com polémica à mistura

Encontro acontece depois de Trump ter sugerido publicamente, nos últimos dias, que María Corina Machado poderia entregar-lhe ou partilhar com ele o Prémio Nobel da Paz, ideia que foi prontamente rejeitada pelo Instituto Nobel da Noruega

Francisco Laranjeira
Janeiro 15, 2026
6:30

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai receber esta quinta-feira a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, num encontro marcado por fortes tensões políticas e pela polémica em torno do galardão atribuído à opositora.

O encontro acontece depois de Trump ter sugerido publicamente, nos últimos dias, que María Corina Machado poderia entregar-lhe ou partilhar com ele o Prémio Nobel da Paz, ideia que foi prontamente rejeitada pelo Instituto Nobel da Noruega. A instituição esclareceu que o prémio “não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros”, sublinhando que a decisão é “final e irrevogável”.

Machado quis partilhar o prémio com Trump

A reação do Instituto Nobel surgiu após María Corina Machado ter afirmado que gostaria de partilhar o Nobel com Trump, atribuindo-lhe um papel decisivo na operação militar americana que levou à captura de Nicolás Maduro, antigo presidente da Venezuela, atualmente detido nos Estados Unidos.

Machado classificou a intervenção americana como “histórica” e defendeu que representou “um enorme passo para uma transição democrática” no país. A líder da oposição dedicou o prémio a Trump logo após o anúncio da atribuição do galardão, sustentando que o reconhecimento pertence “ao povo venezuelano”.

Trump insiste no Nobel e contradiz-se sobre Machado

Donald Trump tem feito campanha ativa para receber o Prémio Nobel da Paz desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, para um segundo mandato presidencial. O presidente americano afirmou repetidamente ter colocado fim a vários conflitos armados, uma alegação que não corresponde aos factos conhecidos.

A posição de Trump em relação a María Corina Machado tem sido marcada por contradições. No próprio dia da operação que levou à captura de Maduro, o presidente dos Estados Unidos declarou que a líder da oposição não tinha qualificação nem apoio suficientes para liderar a Venezuela, apesar de agora a receber na Casa Branca.

Casa Branca defende estratégia para a Venezuela

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, voltou a defender a decisão de Washington de intervir diretamente na situação venezuelana, afirmando que a avaliação feita pelo Presidente e pela equipa de segurança nacional “revelou-se a correta”.

Segundo Leavitt, existe atualmente “muita cooperação” por parte das autoridades em Caracas, lideradas pela Presidente interina, Delcy Rodríguez, após a captura de Maduro.

Apesar disso, Trump deixou claro que pretende condicionar as decisões estratégicas da Venezuela, em particular no setor do petróleo, tendo inclusive divulgado nas redes sociais uma montagem em que surge identificado como “presidente em exercício da Venezuela”, num gesto que alimentou nova controvérsia internacional.

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