O secretário-geral do PS desafiou hoje o primeiro-ministro a esclarecer se sabia que o concurso para novas ambulâncias foi decidido por um governo socialista, ou se “faltou à verdade” ao parlamento, tendo de pedir desculpa.
“O primeiro-ministro deve uma resposta ao país. Ele foi enganado por parte dos serviços e, se foi enganado, o que é que vai fazer para assumir responsabilidades e para esse serviço assumir responsabilidades, ou tinha conhecimento e decidiu omitir esta informação e, se o fez, faltou à verdade ao parlamento e isso é muito grave”, defendeu José Luís Carneiro aos jornalistas na Assembleia da República.
O líder socialista argumentou que mentir ao parlamento “nos Estados Unidos da América dava um ‘impeachment’ [processo com vista à destituição] do Presidente” e que tal “é inaceitável num democracia qualificada”.
O primeiro-ministro anunciou no debate quinzenal no parlamento na quinta-feira que o Governo PSD/CDS-PP tinha aprovado na véspera “a aquisição de novas 275 viaturas para o INEM num investimento que ascende a 16,8 milhões de euros”, acrescentando tratar-se do “maior investimento do género na última década”.
“Ora, esqueceu-se de dizer ou omitiu, que esse concurso foi uma decisão de uma resolução do Conselho de Ministros de 2023, do dia 29 de novembro, uma resolução de um governo do Partido Socialista”, disse hoje José Luís Carneiro.
“Depois, o atual Governo fez uma revisão a esta decisão no dia 29 de agosto de 2024. A pergunta que há a fazer é: porque é que só agora, ao fim de tanto tempo, se está a anunciar a ida para concurso das ambulâncias para a emergência médica”, acrescentou.
Durante esta semana, pelo menos três pessoas morreram depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo. O INEM, que abriu uma auditoria sobre um dos casos, rejeitou responsabilidades e apontou a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais.




