Portugal terminou o ano de 2025 na última posição do ranking europeu de pontualidade aérea, tornando-se o país com a maior taxa de perturbações em voos entre os Estados com maior tráfego aéreo. Os dados revelam que atrasos e cancelamentos afetaram milhões de passageiros, colocando o sistema aeroportuário nacional como o menos eficiente da Europa em termos de cumprimento de horários.
De acordo com um relatório divulgado pela AirHelp, empresa internacional especializada em tecnologia de compensação de passageiros aéreos, quase 936 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos europeus em 2025, dos quais cerca de 26% enfrentaram atrasos ou cancelamentos, situação que deu origem a mais de nove milhões de pedidos elegíveis de compensação financeira, ao abrigo do Regulamento CE 261/2004.
A análise indica que Portugal registou um desempenho particularmente negativo. Em 2025, quase 81 mil voos, num universo total de 227 mil ligações aéreas, sofreram algum tipo de perturbação. Estes problemas afetaram mais de 11,6 milhões de passageiros, o que corresponde a cerca de 36% dos quase 33 milhões de viajantes que partiram de aeroportos nacionais ao longo do ano.
Como consequência direta destes números, mais de 434 mil passageiros passaram a estar elegíveis para solicitar compensações financeiras, de acordo com as regras europeias aplicáveis a atrasos prolongados e cancelamentos. Com este resultado, Portugal assume o último lugar da tabela europeia, ultrapassando a Grécia, que ocupava anteriormente esta posição.
Rotas mais movimentadas registaram elevadas taxas de perturbação
Entre as principais rotas aéreas com partida de Portugal, Madrid foi o destino mais procurado a partir de Lisboa, com 893 mil passageiros, dos quais 40% enfrentaram atrasos ou cancelamentos. Seguiu-se Paris, com 715 mil passageiros, sendo que 39% sofreram perturbações, e, em terceiro lugar, a rota Lisboa-Barcelona, que registou 591 mil passageiros, dos quais 41% não viajaram conforme o horário previsto.
Estes dados demonstram que mesmo as ligações aéreas mais frequentes e estruturantes foram marcadas por elevados níveis de incumprimento, agravando a perceção de instabilidade do transporte aéreo nacional.
Lisboa lidera em volume, Faro destaca-se pela pontualidade
No que diz respeito às partidas por aeroporto, Lisboa foi o principal ponto de saída, com mais de 16 milhões de passageiros, dos quais 44% enfrentaram algum tipo de perturbação. O Aeroporto do Porto registou mais de sete milhões de passageiros, com 28% afetados, enquanto o Aeroporto de Faro contabilizou mais de 4,5 milhões de viajantes, com 21% a reportar problemas nos voos.
Apesar do cenário geral negativo, Faro destacou-se como o aeroporto mais pontual de Portugal em 2025, conseguindo que 79% dos passageiros descolassem conforme o previsto, um desempenho significativamente superior ao dos restantes aeroportos nacionais.
Tal como esperado, os meses de julho e agosto concentraram o maior volume de tráfego aéreo e, simultaneamente, o maior número de interrupções. O dia 13 de julho de 2025, um domingo, ficou marcado como o dia com maior movimento aéreo nos aeroportos portugueses, com 113 mil passageiros a partirem do país num único dia.
Em contraste, janeiro e fevereiro foram os meses mais tranquilos, tanto em número de passageiros como em incidência de atrasos e cancelamentos.
Países nórdicos lideram a pontualidade na Europa
No panorama europeu, a Grécia surge em segundo lugar entre os países com mais perturbações, com 33% dos seus 36,5 milhões de passageiros afetados, seguida da França, onde 30% dos mais de 90 milhões de viajantes enfrentaram problemas nos voos. Ambos os países registaram, ainda assim, melhorias face a 2024.
No extremo oposto da tabela, destacam-se a Noruega, a Suécia e a Estónia. Na Noruega, 85% dos quase 30 milhões de passageiros chegaram ao destino sem atrasos relevantes; na Suécia, 84% dos mais de 17 milhões de passageiros viajaram dentro do horário; e na Estónia, 82% dos 1,7 milhões de passageiros partiram a tempo.
Reino Unido lidera em volume de passageiros
O Reino Unido manteve-se como o país europeu com maior número de passageiros, totalizando cerca de 142 milhões em 2025, com 26% a sofrer perturbações. Seguiu-se a Espanha, com 140 milhões de passageiros e 25% afetados, e a Alemanha, com mais de 106 milhões de viajantes, dos quais 26% enfrentaram atrasos ou cancelamentos. Itália e França completaram o top cinco dos países com maior tráfego aéreo.
Escassez de profissionais e greves explicam degradação do desempenho
Segundo Pedro Miguel Madaleno, advogado especialista em direitos dos passageiros aéreos e representante da AirHelp em Portugal, o balanço de 2025 é claramente negativo para os passageiros nacionais. “Apesar de uma diminuição dos cancelamentos, registou-se um aumento dos atrasos face ao ano anterior, o que resultou numa degradação global da pontualidade e numa inversão da tendência de melhoria observada em 2024”, afirmou.
O especialista aponta a escassez de profissionais qualificados como um dos principais fatores que dificultaram as operações aéreas em toda a Europa, a par das greves de funcionários, que provocaram perturbações adicionais em vários aeroportos e companhias aéreas. Madaleno sublinha ainda a importância de os passageiros se informarem sobre os seus direitos e verificarem se são elegíveis para compensações em caso de atrasos ou cancelamentos ao longo de 2026.













