Escolher a cor das paredes de casa é, para muitos, uma decisão puramente estética. Mas a psicologia sugere que essa opção pode ter efeitos bem mais profundos no humor, na concentração e até na criatividade. A ideia é defendida por Geoff Beattie, professor de Psicologia na Universidade de Edge Hill, que sublinha que a cor é “uma questão psicológica, e não apenas decorativa”.
Segundo explicou o académico num artigo citado pelo ‘Daily Mail’, há um volume crescente de investigação neurocientífica e comportamental que aponta para o impacto direto das cores nos estados emocionais, no desempenho cognitivo, nas interações sociais e até no bem-estar psicológico a longo prazo. Em suma, as cores que nos rodeiam podem estar a moldar o quotidiano de formas quase invisíveis.
Tons neutros: calma, mas com nuances
Perante a dúvida, muitas pessoas optam por brancos, cinzas ou beges. De acordo com Beattie, estes tons neutros têm baixa estimulação visual, ajudando a reduzir a sobrecarga sensorial e os níveis de stress, além de aumentarem a sensação de espaço, tanto em adultos como em crianças.
No entanto, o contexto é determinante. Tons frios de cinza ou brancos demasiado puros podem transmitir uma sensação de esterilidade ou mesmo tristeza, sobretudo em divisões com pouca luz natural. O equilíbrio entre tonalidade, iluminação e função do espaço é, por isso, essencial.
Verdes e azuis: aliados da mente
Entre as cores mais consensuais na psicologia ambiental estão os verdes e os azuis. O verde, pela sua ligação à natureza, é associado à recuperação mental e à redução da fadiga cognitiva. Um escritório ou sala de estudo pintado em tons suaves desta cor pode estimular a criatividade e melhorar a capacidade de resolução de problemas sem que a pessoa se aperceba conscientemente.
Já o azul, frequentemente associado ao céu e à água, tende a ter um efeito calmante. Segundo o ‘Daily Mail’, as evidências sugerem que, para conforto a longo prazo, é preferível escolher tons de saturação baixa a média, evitando cores excessivamente vibrantes que podem tornar-se cansativas com o tempo.
Amarelo: energia com conta, peso e medida
O amarelo também tem lugar na paleta doméstica, mas deve ser usado com moderação. Em versões suaves, está associado à alegria e à luz solar, funcionando bem em zonas sociais ou de maior atividade. Em contrapartida, tons muito saturados podem aumentar a agitação e tornar-se contraproducentes em espaços de descanso.
A recomendação passa por reservar estas cores mais energizantes para áreas onde o dinamismo é desejável, evitando a sua utilização em divisões pensadas para relaxar.
Vermelho: impacto forte, uso seletivo
Tal como o amarelo, o vermelho é uma cor poderosa — e nem sempre adequada a todos os contextos. Estudos citados pelo especialista indicam que ambientes com detalhes vermelhos podem parecer estimulantes num primeiro momento, mas dificultam tarefas que exigem concentração e raciocínio claro.
Por outro lado, no quarto, o cenário muda. Há evidências de que o vermelho pode aumentar o desejo, tornando-se uma escolha mais apropriada para espaços íntimos do que para um escritório em casa.
No fim de contas, a ciência sugere que pintar a casa é mais do que uma questão de gosto pessoal. É também uma decisão que pode influenciar, subtilmente, a forma como se sente, trabalha e descansa. Talvez por isso, num fim de semana mais calmo, valha a pena olhar para as paredes lá de casa com outros olhos.














