“Nós vamos ficar com o petróleo”: Trump deixa garantia sobre a Venezuela

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington pretende manter o controlo do petróleo venezuelano após a operação militar que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, rejeitando comparações com a invasão do Iraque em 2003 e assumindo abertamente que os recursos energéticos estão no centro da estratégia norte-americana.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington pretende manter o controlo do petróleo venezuelano após a operação militar que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, rejeitando comparações com a invasão do Iraque em 2003 e assumindo abertamente que os recursos energéticos estão no centro da estratégia norte-americana.

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As declarações foram tornadas públicas esta terça-feira, depois de Trump ter falado com o apresentador da MSNBC Joe Scarborough, numa conversa relatada em direto pelo próprio jornalista, numa informação divulgada pelo The Washington Times. Segundo Scarborough, o Presidente norte-americano estabeleceu uma distinção clara entre a actual intervenção na Venezuela e a decisão tomada pela administração de George W. Bush no Iraque. “A diferença entre o Iraque e isto é que [Bush] não ficou com o petróleo. Nós vamos ficar com o petróleo”, terá dito Trump.

O chefe de Estado norte-americano recordou ainda que já defendia essa posição há quase uma década. “Em 2016, eu disse que devíamos ter ficado com o petróleo. Isso causou muita controvérsia. Bem, devíamos ter ficado com o petróleo”, afirmou, numa referência direta à polémica gerada pelas suas declarações durante a campanha presidencial desse ano.

A Venezuela detém as maiores reservas conhecidas de petróleo bruto do mundo, um factor que ajuda a explicar o peso estratégico da energia na intervenção agora assumida pela Casa Branca. Trump revelou que manteve contactos com empresas petrolíferas antes e depois da operação militar realizada no fim-de-semana, sublinhando que estas estão interessadas em avançar rapidamente para o terreno. “Eles querem entrar”, afirmou, acrescentando que “vão fazer um excelente trabalho para o povo da Venezuela”.

A operação militar autorizada por Trump teve lugar no sábado e resultou na detenção de Nicolás Maduro e da sua mulher no palácio presidencial, em Caracas. O casal foi transferido para Nova Iorque, onde o antigo líder venezuelano enfrenta uma acusação formal dos Estados Unidos por crimes de “narcoterrorismo”. Na segunda-feira, Maduro declarou-se inocente em tribunal, em Manhattan, acusando os Estados Unidos de o terem raptado.

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Com a queda de Maduro, a questão central passa agora a ser o futuro político do país. Trump garantiu que os Estados Unidos irão acompanhar de perto a atuação da nova líder instalada em Caracas, Delcy Rodríguez, e que o esforço norte-americano se concentrará também na reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana, severamente degradada após anos de crise económica e isolamento internacional.

Ainda assim, a insistência do Presidente norte-americano no controlo do petróleo deverá alimentar o ceticismo em relação às verdadeiras motivações da intervenção. Se, por um lado, muitos venezuelanos celebraram a queda de Maduro, considerado no Ocidente um governante ilegítimo, por outro há quem denuncie a atuação dos Estados Unidos como um regresso a práticas associadas a uma era imperialista, marcada pela ingerência direta em países da América Latina.

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