Menos de seis horas depois do rápido ataque dos Estados Unidos que resultou na detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Donald Trump confirmou o interesse americano no futuro da indústria petrolífera do país sul-americano. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do planeta, estimadas em mais de 300 mil milhões de barris de crude, concentradas na Faixa Petrolífera do Orinoco, preservadas durante a ofensiva.
A produção diária atual ronda um terço do que era extraído na década de 1990, quando o país vivia um período de prosperidade. Segundo especialistas, a queda deve-se à falta de investimentos, à obsolescência do equipamento e à escassez de aditivos e mão-de-obra qualificada. O petróleo venezuelano é pesado e ácido, essencial para a produção de gasóleo e asfalto, e a sua escassez tem contribuído para a recente subida do preço do combustível a nível global.
A China é atualmente o maior cliente do petróleo venezuelano, enquanto apenas a Chevron mantém operações nos Estados Unidos, após regressar no verão passado. As refinarias americanas utilizam o crude venezuelano em mistura com petróleo leve produzido internamente.
Cenários para o setor petrolífero
Gonzalo Escribano, investigador sénior do Instituto Real Elcano, alertou que o futuro da indústria depende da estabilidade política. Caso se mantenha a incerteza, as petrolíferas internacionais dificilmente investirão milhões num ambiente marcado por excesso de oferta e preços baixos. Por outro lado, indicou o jornal espanhol ‘El País’, se houver um acordo com Trump que permita a entrada das empresas americanas, a produção venezuelana poderia aumentar cerca de meio milhão de barris por dia.
Jorge León, vice-presidente da consultora Rystad Energy, sublinhou que a Venezuela não consegue aumentar a produção rapidamente devido à falta de investimentos em portos, oleodutos, refinarias e mão-de-obra qualificada, atualmente controlada por militares. Segundo León, mesmo com todo o potencial do país, a retoma sustentável da produção poderá levar entre cinco a oito anos.
Riqueza natural em contraste com pobreza económica
A Venezuela possui vastas reservas de petróleo, gás natural, ouro, diamantes, minério de ferro e bauxite, bem como depósitos de fosfato e feldspato. No entanto, o país vive num contexto de empobrecimento, isolamento internacional e êxodo migratório.
Antes do ataque, Maduro terá oferecido a Trump acesso preferencial ao setor petrolífero em troca de garantias de segurança, incluindo um possível exílio na Turquia, proposta que terá sido recusada. O fracasso das negociações levou à operação militar que culminou na sua detenção em Brooklyn, Nova Iorque.
Trump assumiu publicamente o interesse económico dos EUA na Venezuela, destacando o potencial de investimento e os lucros que poderiam ser gerados pelas empresas americanas. O presidente americano referiu que a medida poderia tornar o povo venezuelano mais rico, independente e seguro, enquanto o país mantém um papel estratégico no abastecimento mundial de petróleo, mesmo num cenário de transição energética global.













