Frio extremo põe à prova carros elétricos e expõe limites das baterias: quem são os vencedores do ‘desafio de inverno’?

Teste foi conduzido pela ‘Autohome’, o maior grupo de media automóvel da China, que levou cerca de 67 veículos elétricos e híbridos para Yakeshi, na região da Mongólia Interior

Automonitor
Janeiro 5, 2026
12:11

O maior teste de inverno alguma vez realizado com veículos elétricos acaba de ser concluído na China e confirma o impacto severo das temperaturas extremas na autonomia das baterias. Apesar do domínio claro dos fabricantes chineses, um modelo americano e outro japonês conseguiram entrar no top dez, num ensaio marcado por frio intenso e condições particularmente exigentes.

O teste foi conduzido pela ‘Autohome’, o maior grupo de media automóvel da China, que levou cerca de 67 veículos elétricos e híbridos para Yakeshi, na região da Mongólia Interior. No local, aproximadamente uma centena de especialistas submeteram os modelos a avaliações rigorosas de autonomia real, tempos de carregamento, comportamento em pisos gelados, aceleração e segurança, segundo relata o ‘Motor1’.

Os resultados mostram uma tendência clara: a maioria dos veículos perdeu mais de metade da autonomia declarada pelos fabricantes. Este efeito, longe de ser inesperado, resulta das limitações inerentes à atual tecnologia de baterias de iões de lítio, cuja eficiência diminui acentuadamente com a descida das temperaturas.

Em condições de frio extremo, o eletrólito no interior da bateria torna-se mais viscoso, aumentando a resistência interna e dificultando o movimento dos iões. Como consequência, a bateria consome mais energia para manter o funcionamento normal e para aquecer o próprio sistema, recorrendo a bombas de calor ou aquecedores resistivos. Mesmo os veículos elétricos modernos, equipados com sistemas avançados de gestão térmica, não escapam a este fenómeno.

Metodologia e contexto dos testes

Importa sublinhar que os valores obtidos foram comparados com as autonomias homologadas segundo o ciclo CLTC, utilizado na China, conhecido por ser particularmente otimista. Esta diferença ajuda a explicar a dimensão das quebras registadas. Além disso, os testes não seguiram o padrão habitual de estrada a velocidades de 100 a 110 km/h, tendo sido realizados maioritariamente entre 70 e 80 km/h, em linha com as velocidades médias de circulação naquele país.

Ainda assim, as superfícies geladas, os ventos fortes e as temperaturas que chegaram a variar entre -10 e -30 graus Celsius colocaram as baterias sob um nível de stress extremo, independentemente da velocidade.

Quem se destacou pela eficiência?

No balanço final, os sedãs emergiram como os grandes vencedores do teste, beneficiando de melhor aerodinâmica e menor peso. O Xpeng P7 liderou o ranking, percorrendo 366,7 quilómetros com uma única carga e mantendo cerca de 53,9% da autonomia original de 680 quilómetros em ciclo combinado.

Seguiram-se o Yangwang U7, com 51,8% da autonomia preservada, e o Zeekr 001, com 49,6%. O Tesla Model 3 e o Nissan N7 completaram os cinco primeiros lugares, retendo aproximadamente 48% e 47,4% da autonomia anunciada, respetivamente.

Em contraste, o novo Mercedes-Benz CLA ficou aquém das expectativas. Apesar de uma autonomia homologada de 866 quilómetros, conseguiu preservar apenas cerca de 37% desse valor, um resultado considerado dececionante para um dos modelos elétricos mais recentes e tecnologicamente avançados do segmento.

Entre os SUV, o Tesla Model YL de eixo longo e a versão convencional ficaram em 29.º e 31.º lugares, mantendo cerca de 35,2% e 36,1% da autonomia declarada. Apesar da posição no ranking, os valores são considerados respeitáveis, sobretudo face à forte concorrência de modelos chineses como o Xiaomi SU7, o Aito M7 e o Nio ES8, todos acima dos 40% de autonomia retida.

Consumo energético favorece modelos mais leves

Outro indicador analisado foi o consumo de energia por 100 quilómetros. Aqui, os veículos elétricos mais pequenos e acessíveis destacaram-se graças ao menor peso e a arquiteturas mais simples. O BYD Seagull e o Geely Xingyuan lideraram, com cerca de 23,5 kWh por 100 quilómetros, seguidos pelo BYD Seal 06, Wuling Bingo S e Tesla Model 3, todos abaixo dos 25 kWh.

Apesar das quebras expressivas na autonomia, os responsáveis pelo estudo sublinham que as condições do teste — clima extremo, pisos difíceis e cabinas permanentemente aquecidas — diferem significativamente da condução típica de inverno. Ainda assim, os resultados reforçam uma conclusão clara: mesmo num cenário extremo, o Tesla Model 3 continua a destacar-se como um dos veículos elétricos mais eficientes do mercado.

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