Norte-americanos não aplaudem a intervenção dos EUA na Venezuela, mostra sondagem

A opinião pública norte-americana está longe de acompanhar a euforia demonstrada pelo Presidente dos Estados Unidos após a captura de Nicolás Maduro e a ampla divulgação mediática da operação. Uma sondagem relâmpago da YouGov, uma das principais empresas de estudos de opinião, revela uma sociedade dividida e um apoio limitado à intervenção dos EUA na Venezuela.

Pedro Gonçalves
Janeiro 5, 2026
12:20

A opinião pública norte-americana está longe de acompanhar a euforia demonstrada pelo Presidente dos Estados Unidos após a captura de Nicolás Maduro e a ampla divulgação mediática da operação. Uma sondagem relâmpago da YouGov, uma das principais empresas de estudos de opinião, revela uma sociedade dividida e um apoio limitado à intervenção dos EUA na Venezuela.

De acordo com os dados, apenas 34% da população norte-americana manifesta apoio ou forte apoio à intervenção, enquanto 41% se declara contra, somando oposição e forte oposição. Os números mostram que a operação não reúne consenso nacional, num contexto político marcado por eleições intercalares ainda este ano.

Entre o eleitorado republicano, que respaldou Donald Trump nas eleições, o apoio à intervenção é claramente maior, mas ainda assim longe de ser massivo. Cerca de 60% dos eleitores republicanos dizem apoiar ou apoiar fortemente a ação na Venezuela, enquanto 13% se opõem.

Apesar disso, os dados indicam que um em cada três eleitores de Trump não apoia a intervenção militar e que três em cada dez ainda não formaram uma opinião. Este nível de indefinição é considerado elevado para um tema de política externa, sobretudo num eleitorado que, noutras matérias, tende a apresentar níveis de apoio superiores a 85%.

Voto latino dividido e com elevado número de indecisos
A sondagem analisou também a posição do eleitorado latino, que representa cerca de 10% do total de votantes nos Estados Unidos e teve um peso determinante nas últimas eleições presidenciais. Neste grupo, 40% manifestam apoio à intervenção, enquanto 33% se mostram contra.

O estudo revela ainda uma larga fatia de indecisos entre os eleitores de origem latino-americana, estimada em cerca de quatro milhões de votantes, o que contribui para a leitura de uma reação globalmente morna à atuação dos EUA na Venezuela.

Quatro razões para uma reação fria da opinião pública
A análise dos dados aponta para vários fatores que ajudam a explicar a frieza da reação da sociedade norte-americana. Em primeiro lugar, a economia continua a ser a principal preocupação dos eleitores, com a perceção de que o Presidente não está a corresponder às expectativas nesta área.

Em segundo lugar, o nível de aprovação de Donald Trump tem vindo a descer de forma consistente em todos os segmentos da população, com impacto mais acentuado entre os mais jovens. Acresce a perceção de que a situação na Venezuela não constitui uma urgência nacional: apenas 15% dos norte-americanos consideram que o contexto venezuelano representa uma emergência para os Estados Unidos, percentagem que sobe para 29% entre os republicanos.

Por fim, os dados mostram que, já em novembro, a intervenção militar para afastar Maduro não figurava entre as prioridades do eleitorado. Nessa altura, apenas 17% defendiam essa opção, enquanto 45% se opunham e 38% permaneciam indecisos.

Uma das questões centrais avaliadas pela sondagem prende-se com a eventualidade de empresas norte-americanas assumirem o controlo das reservas petrolíferas da Venezuela. No conjunto da população, apenas 25% concordam com essa possibilidade, face a 45% que se opõem.

Entre os eleitores republicanos, o apoio sobe para 43%, mas ainda assim 23% rejeitam a ideia. No eleitorado latino, o cenário inverte-se: 30% defendem o controlo das reservas por empresas dos EUA, enquanto 40% se manifestam contra.

A leitura global dos dados aponta para uma conclusão clara: apesar da visibilidade mediática da captura de Nicolás Maduro, a intervenção na Venezuela não surge como um trunfo político interno para Donald Trump. Pelo contrário, a dimensão demoscópica do tema sugere que esta estratégia dificilmente ajudará o Presidente a inverter as dificuldades que enfrenta nas sondagens.

Os números indicam uma sociedade cautelosa, dividida e pouco mobilizada em torno de uma intervenção externa, num momento em que as preocupações económicas e sociais continuam a dominar as prioridades do eleitorado norte-americano.

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