O líder norte-coreano Kim Jong Un supervisionou o lançamento de mísseis hipersónicos de “última geração”, num teste destinado a preparar as forças nucleares do regime para um cenário de guerra. A informação foi divulgada esta segunda-feira pela imprensa estatal, num contexto que Pyongyang descreve como de crescente “crise geopolítica”, segundo o ‘Kyiv Post’.
Este domingo, a Coreia do Sul e o Japão detetaram o lançamento de dois mísseis balísticos a partir das imediações de Pyongyang, no primeiro teste do ano realizado pela Coreia do Norte. O ensaio ocorreu poucas horas antes da partida do líder sul-coreano, Lee Jae Myung, para Pequim, onde participa numa cimeira diplomática.
Lee afirmou esperar que a visita à China permita aproveitar a influência de Pequim sobre a Coreia do Norte, com o objetivo de melhorar as relações entre Seul e Pyongyang.
Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a Agência Central de Notícias da Coreia citou Kim Jong Un a afirmar que o teste demonstrou “a prontidão das forças nucleares da RPDC”, utilizando a designação oficial do país. “Conquistas importantes foram alcançadas recentemente na implementação prática das nossas forças nucleares e na sua preparação para uma guerra real”, declarou o líder norte-coreano.
Kim acrescentou que o objetivo destas ações é “elevar gradualmente o poder de dissuasão nuclear a um nível altamente desenvolvido”. Fotografias divulgadas pelos meios oficiais mostram o líder norte-coreano a observar o lançamento, acompanhado por altos responsáveis do regime, enquanto um míssil sobe aos céus nas primeiras horas da manhã.
Referência à Venezuela e condenação dos EUA
O líder norte-coreano justificou a urgência do teste com a atual conjuntura internacional. “A recente crise geopolítica e os complexos acontecimentos internacionais exemplificam a necessidade disso”, afirmou, numa referência implícita à detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no fim de semana.
Pyongyang condenou oficialmente a atuação de Washington, classificando-a como uma “grave violação da soberania” que “confirma, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA”. A liderança norte-coreana teme há décadas um cenário de “ataque de decapitação” e acusa os Estados Unidos de procurarem remover o regime do poder.
Dissuasão nuclear como estratégia
A Coreia do Norte tem justificado os seus programas nuclear e balístico como instrumentos de dissuasão face ao que considera tentativas externas de mudança de regime. Para Hong Min, analista do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, o lançamento recente pode ser interpretado como uma mensagem política clara. “Sinaliza que Pyongyang possui capacidade de dissuasão bélica e nuclear, ao contrário da Venezuela”, afirmou o especialista à agência AFP.
O analista referiu ainda informações da imprensa estatal segundo as quais Kim Jong Un visitou recentemente uma unidade envolvida na produção de armas guiadas táticas. Essas capacidades, acrescentou, demonstram a possibilidade de ataques mais precisos a partir de várias plataformas, incluindo meios terrestres e aéreos.
O sistema de armas hipersónicas da Coreia do Norte foi testado pela primeira vez em outubro. Estes mísseis deslocam-se a velocidades superiores a cinco vezes a do som e conseguem manobrar durante o voo, o que dificulta significativamente a sua deteção e interceção.
Armas deste tipo têm sido utilizadas com efeitos destrutivos em conflitos recentes, nomeadamente pela Rússia na Ucrânia e pelo Irão contra Israel, países com os quais Pyongyang tem vindo a reforçar relações estratégicas.













