Salários nas Forças Armadas são mais baixos do que em qualquer outra polícia: desmotivação agrava saída de militares

Dados do Governo indicam que os militares das Forças Armadas ganham menos que todos os polícias, em todas as categorias — oficiais, sargentos e praças

Revista de Imprensa

A remuneração dos militares das Forças Armadas ficou significativamente atrás das forças policiais em Portugal nos últimos anos, segundo dados oficiais avançados pelo ‘Correio da Manhã’ esta segunda-feira. Esta diferença salarial coincide com um quadro de saída contínua de efetivos, devido em parte a “remuneração inadequada”, que tem sido apontada pelos próprios militares como motivo para abandonar a carreira.

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Os números mostram que, em 2011, um oficial das Forças Armadas tinha um ganho médio mensal (GMM) bruto de 2.316 euros, valor superior ao de um oficial da PSP e de um elemento da Polícia Judiciária e apenas 180 euros inferior ao de um oficial da GNR, que liderava os rendimentos. Contudo, em julho do ano passado, o cenário inverteu-se: o GMM dos oficiais das Forças Armadas ficou atrás de todas as forças policiais, com uma diferença superior a 600 euros por mês em comparação com oficiais da GNR, atualmente os mais bem pagos.

Os dados do Governo indicam que os militares das Forças Armadas ganham menos que todos os polícias, em todas as categorias — oficiais, sargentos e praças. Entre 2019 e 2024, o aumento do GMM para oficiais das Forças Armadas foi de apenas 446 euros, inferior ao registado noutras forças, e os sargentos ficaram apenas à frente dos da GNR, mantendo-se com o menor salário médio face aos sargentos da PSP e da GNR. Já os praças obtiveram um aumento de 723 euros no mesmo período, mas continuam a ser os mais mal pagos quando comparados com guardas e agentes das forças policiais.

O GMM inclui o ordenado base bruto e os suplementos, e os valores apresentados pela Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP) representam a média de todos os integrantes de cada categoria nas respetivas forças.

Impactos na retenção e recrutamento

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O cenário de salários menos competitivos tem impacto direto na capacidade de retenção e recrutamento das Forças Armadas. Um memorando interno da Força Aérea revelou que a instituição perdeu mais de mil efetivos entre 2013 e 2022, com destaque para a “remuneração inadequada” como principal razão invocada pelos militares que abandonaram a carreira.

A associação de oficiais das Forças Armadas também alertou para a queda contínua do número de militares, com uma redução de 738 efetivos apenas em 2023 e uma diminuição de mais de 10.000 militares desde 2011, equivalente a uma quebra de quase 32% no total de efetivos.
RTP

Este declínio de efetivos tem sido uma preocupação persistente em Portugal. O número de militares nas Forças Armadas passou de cerca de 34.500 para menos de 24.000 nos últimos anos, segundo dados da DGAEP escritos pela associação de oficiais, refletindo uma saída contínua de pessoal que pressiona a capacidade operacional das forças.

Medidas do Governo e desafios futuros

O Governo tem iniciado medidas para responder a este desafio demográfico e salarial. Alterações recentes incluem o aumento do suplemento militar e revisões na estrutura remuneratória, com o objetivo de valorizar a condição militar e tornar a carreira mais atrativa.

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Especialistas e oficiais contactados por órgãos de comunicação social têm destacado que a recuperação de efetivos exigirá não apenas ajustes salariais, mas também melhorias nas condições de trabalho e perspetivas de carreira, num momento em que a concorrência por talento com o setor civil e outras forças de segurança é significativa.

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