A Suíça decretou um dia de luto nacional esta sexta-feira, após o incêndio na noite de Ano Novo na estação alpina de Crans-Montana, que provocou 40 mortos e 119 feridos. “A 9 de janeiro, a Confederação, em colaboração com as Igrejas suíças, prevê uma jornada de luto nacional”, declarou o presidente suíço Guy Parmelin numa entrevista ao jornal ‘SonntagsBlick’.
Como sinal adicional de solidariedade nacional, todos os sinos das igrejas da Suíça tocarão às 14:00 locais (13:00 em Lisboa) quando começar a cerimónia em homenagem às vítimas do incêndio, que ocorreu num bar de Crans-Montana.
“Está também planeado um minuto de silêncio. Neste momento de reflexão, todas as pessoas na Suíça poderão prestar homenagem, a título pessoal, às vítimas da catástrofe”, indicou Parmelin.
Esta sexta-feira, os proprietários do bar vão ser ouvidos pelas autoridades: o casal de franceses Jacques e Jessica Moretti serão interrogados pelo Ministério Público às 08:00, no horário local (07:00 em Lisboa) na cidade suíça de Sion, capital do cantão de Valais, acrescentou a fonte à agência de notícias AFP.
Os proprietários garantiram que não se “escusariam” no quadro do inquérito em curso. “Estamos devastados e invadidos pelo desgosto”, anunciaram os proprietários do bar Constelação, em comunicado recebido pela AFP, que constitui a primeira declaração pública do casal, depois da abertura, no sábado, de um inquérito que os visa por “homicídio por negligência, lesões corporais por negligência e incêndio por negligência”.
O incêndio foi provocado, segundo o inquérito, por velas que libertam faíscas, que entraram em contacto com o teto. Os clientes do bar, maioritariamente adolescentes e jovens adultos, ficaram cercados pelas chamas.
O inquérito deve investigar a conformidade dos trabalhos realizados pelo casal em 2015, os materiais utilizados, as vias de socorro e saída, os meios de extinção, bem como o respeito das normas em matéria de incêndio, em particular a colocação de um teto falso com material insonorizante, que parece ter-se incendiado rapidamente.
As autoridades comunais admitiram que não foram feitos controlos de segurança e incêndio ao estabelecimento entre 2020 e 2025.
Em comunicado emitido pelos seus advogados, o casal assegurou que faz “confiança total nos investigadores para fazer toda a luz e dissipar as interrogações”.
Jacques Moretti já esteve envolvido em outros casos judiciais em França, nomeadamente proxenetismo e fraude. Entretanto, o casal Moretti não foi sujeito a prisão preventiva nem domiciliária.
No incêndio morreram 40 pessoas que participavam na festa organizada pelo estabelecimento para receber o Ano Novo, enquanto 119 ficaram feridas, a maioria em estado grave.
As autoridades admitem que o número de vítimas mortais possa aumentar e informaram que os primeiros quatro corpos foram identificados, e são todos suíços: duas mulheres, de 21 e 16 anos, e dois homens, de 18 e 16 anos, cujos restos mortais foram já entregues às suas famílias.
Entre os feridos cuja nacionalidade foi já confirmada figuram 14 franceses, 11 italianos e quatro sérvios.














