Turquia trava alegados ataques de Ano Novo e detém 115 suspeitos do Daesh em Istambul

Segundo o Ministério Público de Istambul, as detenções resultam de informações de inteligência que apontavam para preparativos de ações violentas em locais com elevada concentração de pessoas

Francisco Laranjeira

As autoridades turcas detiveram 115 pessoas suspeitas de ligações ao Daesh, na sequência de uma operação de grande escala lançada em Istambul para travar alegados planos de ataques durante as comemorações de Ano Novo. Segundo o Ministério Público de Istambul, as detenções resultam de informações de inteligência que apontavam para preparativos de ações violentas em locais com elevada concentração de pessoas.

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De acordo com o jornal espanhol ‘ABC’, as autoridades realizaram buscas em 124 residências na passada quinta-feira, no âmbito de mandados de captura emitidos contra 137 suspeitos. Até ao momento, 115 indivíduos foram detidos, estando em curso operações para localizar os restantes 22. Durante as buscas, a polícia apreendeu armas de fogo, munições e documentação associada ao Estado Islâmico, sem divulgar pormenores sobre o grau de preparação dos alegados ataques ou sobre a nacionalidade dos detidos.

O Ministério Público indicou que a investigação foi desencadeada após alertas de que a organização terrorista teria lançado um apelo à ação, com particular incidência em alvos não muçulmanos, durante o período festivo. As autoridades turcas reforçaram a vigilância em locais considerados sensíveis, como centros comerciais e mercados, perante o risco acrescido associado às celebrações de Ano Novo.

Esta operação surge na continuidade de uma ofensiva mais ampla contra o Daesh. Em março, o ministro do Interior, Ali Yerlikaya, anunciou a detenção de 298 suspeitos em 47 províncias, ao longo de duas semanas, numa das maiores operações realizadas no país contra o grupo jihadista. As autoridades consideram o Estado Islâmico a segunda maior ameaça terrorista à segurança interna da Turquia.

Após o colapso do autoproclamado califado do Daesh no Iraque e na Síria, em 2019, Ancara tem alertado para a fixação de membros da organização em território turco. Segundo o ABC, a localização geográfica do país, com uma fronteira de cerca de 900 quilómetros com a Síria, torna-o um alvo prioritário para atividades jihadistas.

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As detenções em Istambul ocorrem poucos dias depois de os Estados Unidos terem lançado ataques aéreos de grande escala contra posições do Estado Islâmico na Síria, atingindo mais de 70 alvos. As operações foram ordenadas pelo então presidente Donald Trump, em resposta a uma emboscada em Palmira que provocou a morte de dois soldados americanos e de um civil.

Paralelamente, os serviços de inteligência turcos anunciaram esta semana a captura de um cidadão turco na região fronteiriça entre o Afeganistão e o Paquistão, alegadamente um quadro de topo do Daesh. Mehmet Goren foi acusado de organizar atentados suicidas contra civis em vários países, incluindo na Europa, tendo sido posteriormente transferido para a Turquia.

Desde que classificou o Estado Islâmico como organização terrorista, em 2013, a Turquia deteve mais de 19 mil pessoas por suspeitas de ligação ao grupo e deportou mais de 7.600 estrangeiros associados a organizações armadas, segundo dados oficiais.

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