EUA proíbem drones feitos na China, incluindo destas duas marcas líderes mundiais

Os Estados Unidos vão proibir a entrada no mercado de novos drones fabricados no estrangeiro, alegando riscos “inaceitáveis” para a segurança nacional. A decisão foi anunciada pela Federal Communications Commission (FCC) e afeta diretamente fabricantes chineses, incluindo a DJI, líder mundial do setor, e a Autel, afastando-os do mercado norte-americano.

Pedro Zagacho Gonçalves

Os Estados Unidos vão proibir a entrada no mercado de novos drones fabricados no estrangeiro, alegando riscos “inaceitáveis” para a segurança nacional. A decisão foi anunciada pela Federal Communications Commission (FCC) e afeta diretamente fabricantes chineses, incluindo a DJI, líder mundial do setor, e a Autel, afastando-os do mercado norte-americano.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

A medida surge cerca de um ano depois de o Congresso norte-americano ter aprovado uma lei de defesa que levantava preocupações de segurança nacional associadas aos drones fabricados na China, amplamente utilizados nos Estados Unidos em áreas como agricultura, cartografia, forças de segurança e produção audiovisual. Segundo a FCC, uma revisão governamental concluiu que todos os drones e componentes críticos produzidos fora dos EUA representam riscos inaceitáveis para a segurança nacional e para a segurança dos cidadãos norte-americanos, não se limitando apenas às empresas chinesas mais conhecidas.

Com sede em Shenzhen, a DJI é o maior fabricante de drones do mundo, sendo responsável por cerca de 80% dos drones comerciais vendidos nos Estados Unidos, de acordo com a Drone Industry Insights. A Autel surge como a concorrente mais próxima no segmento comercial, embora com uma quota de mercado significativamente inferior. Ainda assim, a FCC admitiu que drones ou componentes específicos poderão ser isentos da proibição, caso o Departamento da Defesa ou o Departamento de Segurança Interna determinem que não representam riscos.

A autoridade reguladora justificou também a decisão com a proximidade de grandes eventos internacionais, como o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, as celebrações dos 250 anos dos Estados Unidos e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, sublinhando a necessidade de prevenir ameaças provenientes de “criminosos, atores estrangeiros hostis e terroristas”.

O presidente e diretor executivo da AUVSI – Association for Uncrewed Vehicle Systems International, Michael Robbins, saudou a decisão, defendendo que os Estados Unidos devem reduzir a dependência da China e investir na produção interna. “A história recente mostra porque é que os Estados Unidos precisam de aumentar a produção nacional de drones e garantir cadeias de abastecimento seguras”, afirmou, apontando a disposição de Pequim para restringir o fornecimento de materiais críticos, como ímanes de terras raras, sempre que tal serve os seus interesses estratégicos.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Por sua vez, a DJI manifestou desapontamento com a decisão da FCC, sublinhando que não foram divulgadas informações sobre os dados utilizados pelo Governo norte-americano para fundamentar a proibição. A empresa considerou ainda que as preocupações com a segurança dos dados “não têm base em provas” e refletem “protecionismo”, contrariando, segundo a marca, os princípios de um mercado aberto.

Nos Estados Unidos, profissionais que dependem de drones estrangeiros manifestaram preocupação com o impacto económico da nova política. Gene Robinson, do Texas, utiliza uma frota de nove drones da DJI para formação policial e análises forenses e admite que as restrições vão prejudicar o seu trabalho e o de muitos outros utilizadores, que escolheram drones chineses pela versatilidade, elevado desempenho e preços acessíveis. Ainda assim, reconheceu que o país “está agora a pagar o preço” por ter externalizado a produção e admitiu que o regresso à autonomia industrial implicará dificuldades.

Já Arthur Erickson, diretor executivo e cofundador da empresa norte-americana Hylio, considerou que a saída da DJI cria espaço para o crescimento de fabricantes americanos, revelando que novos investimentos estão a permitir aumentar a produção de drones agrícolas, usados na fertilização de campos. No entanto, classificou como “inesperada” e “excessiva” a decisão de alargar a proibição a todos os drones e componentes fabricados no estrangeiro, alertando para a existência de uma cadeia de abastecimento global aliada e defendendo que o alcance da medida deverá ser clarificado.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.