O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou estar “triste e grato” após o presidente Donald Trump reiterar a intenção de anexar a ilha autónoma dinamarquesa aos EUA. Nielsen sublinhou que “as nossas decisões são tomadas aqui”, reforçando a autonomia da maior ilha do mundo e a importância estratégica do território.
Trump designou o governador da Louisiana, Jeff Landry, um republicano, como enviado especial à Gronelândia, com o objetivo de avançar na anexação. Para o presidente americano, a ilha é crucial para a segurança nacional devido à crescente atividade russa e chinesa no Ártico, bem como aos abundantes depósitos de minerais críticos.
A proposta gerou forte descontentamento entre os gronelandeses, na Dinamarca e entre outros aliados europeus dos Estados Unidos, que rejeitam a abordagem da Casa Branca de reivindicar um território dinamarquês. Os EUA já mantêm uma base militar na ilha.
Nielsen, em comunicado no Facebook, originalmente em dinamarquês, afirmou estar “triste porque, numa conferência de imprensa, o presidente americano expressou mais uma vez o desejo de anexar a Gronelândia”. Acrescentou que “com essas palavras, o nosso país é reduzido a uma questão de segurança e poder. Não é assim que nos vemos, nem como podemos ou devemos ser descritos.”
O primeiro-ministro sublinhou ainda que a Gronelândia é “um povo com uma longa história, uma cultura forte e uma democracia vibrante. Somos responsáveis pelo nosso território e pelo nosso futuro. A nossa integridade territorial e o nosso direito à autodeterminação estão protegidos pelo direito internacional e não podem ser ignorados”.
Nielsen agradeceu ao povo da ilha pelo “claro apoio e solidariedade demonstrados”, destacando a calma e dignidade com que a população enfrenta a situação. O líder também dirigiu palavras de gratidão aos “líderes governamentais e parceiros de todo o mundo que expressaram respeito pela Gronelândia, pelas nossas instituições democráticas e pelos princípios do direito internacional”, reforçando que “aqui em casa, não estamos sozinhos”.
Concluindo, Nielsen reiterou a soberania do território: “Mais uma vez: a Gronelândia é o nosso país. As nossas decisões são tomadas aqui. E lutarei sempre pela nossa liberdade e pelo nosso direito de decidir por nós mesmos e moldar o nosso futuro.”













