Kremlin rejeita avaliação da inteligência americana sobre ambições de Putin na Europa

Segundo a ‘Reuters’, que citou seis fontes não identificadas familiarizadas com a inteligência dos EUA, a análise contradiz as declarações públicas de Putin, que afirma não ameaçar a Europa nem desejar uma guerra com a aliança atlântica

Francisco Laranjeira

O Kremlin rejeitou esta segunda-feira uma avaliação divulgada pela inteligência americana que aponta que o presidente russo, Vladimir Putin, ainda procura o controlo total da Ucrânia e mantém ambições de retomar antigos Estados soviéticos agora integrados na NATO.

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Segundo a ‘Reuters’, que citou seis fontes não identificadas familiarizadas com a inteligência dos EUA, a análise contradiz as declarações públicas de Putin, que afirma não ameaçar a Europa nem desejar uma guerra com a aliança atlântica.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou em conferência de imprensa que a fiabilidade dos relatórios é incerta. “Não sabemos o quão confiáveis são. Esse é o primeiro ponto”, declarou. “Mesmo que corresponda à realidade, esses dados — situações em que a inteligência produz avaliações erradas — não refletem a realidade”, acrescentou.

Nos EUA, a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, contestou a reportagem, acusando “belicistas” de tentar minar os esforços de paz do ex-presidente Donald Trump na Ucrânia. Gabbard afirmou que a inteligência americana avalia que a Rússia procura evitar uma guerra mais ampla com a NATO e não possui capacidade para conquistar toda a Ucrânia ou a Europa.

O processo de negociações de paz indiretas mediadas por Trump encontra-se travado devido a divergências sobre concessões territoriais e garantias de segurança para a Ucrânia. Enquanto isso, aliados da NATO receiam que a Rússia esteja a preparar uma ofensiva maior na Europa e utilize a Ucrânia para testar a coesão da aliança, incluindo a disposição em defender os Estados bálticos.

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A tensão é reforçada pelas declarações do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que alertou em Berlim sobre a ameaça russa. “Somos o próximo alvo da Rússia. Muitos estão silenciosamente complacentes. A hora de agir é agora”, afirmou. O conflito, sublinhou, “está à nossa porta” e exige preparação imediata por parte da aliança.

Na semana passada, Putin descreveu como “histeria” e “mentiras” as acusações de que pretende invadir os aliados europeus da NATO.

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