Natal à mesa… e inchaço pós-festas: cinco alimentos para começar já a consumir para combater excessos

Existe uma explicação fisiológica. O inchaço surge quando o sistema digestivo tem dificuldade em processar e movimentar os alimentos de forma eficiente

Executive Digest

Há algo que dezembro parece garantir todos os anos: a sensação gradual de que o sistema digestivo entrou em modo de resistência. Entre jantares de empresa, tábuas de queijos sucessivas e refeições mais pesadas do que o habitual, o inchaço tornou-se um dos sintomas mais comuns — e menos desejados — da época festiva, escreve o ‘The Independent’.

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“Com o período natalício surge frequentemente um nível de indulgência que deixa muitas pessoas a sentirem-se indispostas”, explica Shona Wilkinson, nutricionista-chefe da ‘Dr Vegan’. Refeições ricas, doces e o consumo constante de pequenas porções ao longo do dia exercem uma pressão acrescida sobre o intestino, tornando o inchaço quase inevitável nesta altura do ano.

A sensação não se deve apenas aos excessos. Existe uma explicação fisiológica. O inchaço surge quando o sistema digestivo tem dificuldade em processar e movimentar os alimentos de forma eficiente. Em dezembro, este problema agrava-se porque as pessoas comem porções maiores, uma maior variedade de alimentos e afastam-se das rotinas habituais. O resultado é um intestino a tentar acompanhar um aumento súbito de pratos ricos em gordura, açúcar, álcool e proteína.

Apesar disso, há boas notícias. Segundo Wilkinson, existem formas simples e naturais de apoiar a digestão e reduzir o desconforto intestinal, mesmo quando os excessos festivos estão no auge. Alguns alimentos fornecem enzimas, fibras e bactérias benéficas que ajudam o intestino a funcionar de forma mais eficiente durante este período particularmente exigente.

Os alimentos fermentados surgem como um dos principais aliados. Produtos como iogurtes ricos em probióticos, chucrute, kimchi ou kombucha ajudam a manter o equilíbrio do microbioma intestinal, fortemente afetado em dezembro pelo aumento do consumo de álcool e açúcar e pela redução da fibra. Quando consumidos regularmente, estes alimentos introduzem bactérias benéficas no intestino, facilitando a digestão e reduzindo a produção de gases, o que pode atenuar o impacto das refeições mais pesadas antes mesmo de surgirem os sintomas.

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Outro apoio relevante é o gengibre, conhecido pela sua ação rápida. Utilizado há séculos para aliviar desconfortos digestivos, contém compostos naturais que estimulam o trato digestivo e promovem um esvaziamento gástrico mais eficiente. Ao ajudar os alimentos a não permanecerem demasiado tempo no estômago, o gengibre reduz a sensação de enfartamento e inchaço, sendo particularmente útil numa altura marcada por refeições ricas em proteínas. Pode ser consumido sob a forma de chá ou incorporado em refeições simples do dia a dia.

A aveia surge como um elemento estabilizador num mês dominado por hidratos de carbono refinados. Rica em fibra solúvel, nomeadamente beta-glucanos, contribui para uma digestão mais regular, ajuda a manter a flora intestinal saudável e reduz a inflamação no trato digestivo. Começar o dia com aveia pode fazer uma diferença significativa no conforto intestinal ao longo da época festiva, ao mesmo tempo que ajuda a evitar picos e quebras bruscas de energia.

Menos habitual nas mesas de dezembro, a papaia destaca-se pelo seu teor de papaína, uma enzima que ajuda a decompor proteínas e a tornar a digestão mais suave. Para além disso, fornece hidratação, fibra e antioxidantes, contribuindo para a regularidade intestinal e para a redução da irritação digestiva. A versão fresca é a mais recomendada, embora a papaia seca também possa ser consumida com moderação.

Já as maçãs apresentam-se como uma solução simples e acessível. Ricas em pectina, uma fibra solúvel que ajuda a regular o trânsito intestinal, favorecem movimentos digestivos consistentes e previnem a sensação de prisão de ventre comum no final do ano. Contêm ainda prebióticos naturais que fortalecem a microbiota intestinal, sobretudo quando consumidas cruas.

Nenhum alimento, por si só, resolve todos os problemas digestivos. Ainda assim, Wilkinson sublinha que, aliados a uma hidratação adequada e ao descanso possível nesta altura do ano, estes alimentos podem ajudar a desfrutar das refeições natalícias sem que o estômago entre em estado de revolta. Como resume o ‘The Independent’, o Natal deve ser apreciado — não suportado.

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