Paulo Abreu dos Santos, antigo adjunto da ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro, recebia mais de 5 mil euros brutos por mês durante os dez meses em que exerceu funções no gabinete da ministra, entre 6 de outubro de 2022 e 1 de setembro de 2023, no segundo Governo liderado por António Costa, constituído após a vitória do PS nas legislativas de janeiro de 2022. O advogado optou pelo regime remuneratório previsto no decreto-lei n.º 11/2012, podendo auferir um valor equivalente ao vencimento do membro do Governo a que estava subordinado, ainda que o corte salarial de 5% vigente até 2025 tenha limitado o montante.
De acordo com informações avançadas pelo Correio da Manhã, Paulo Abreu dos Santos manteve uma atuação discreta no Ministério da Justiça. A sua saída do gabinete “não surpreendeu” os colegas, ocorrendo por vontade própria, após ter manifestado cansaço face ao ritmo de trabalho. A mesma fonte destacou que não houve incidentes durante a sua passagem pelo Ministério, confirmado pela nota de louvor n.º 481/2023, assinada por Catarina Sarmento e Castro, que reconheceu o “enorme rigor técnico e notáveis capacidades de trabalho e de organização” do advogado, tornando-o “um elemento fundamental” do gabinete.
Após deixar o Ministério, Paulo Abreu dos Santos continuou a exercer funções como advogado e docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, até ser detido e colocado em prisão preventiva na cadeia da Carregueira, por suspeita de abuso sexual de crianças e posse de centenas de ficheiros de pornografia infantil.
Segundo relatos ao Correio da Manhã, Paulo Abreu dos Santos participava ativamente no culto Casa Orixás, onde se descreve que era “o braço-direito da ‘Mãe de Santo’ Alexandrina Rodrigues” e cumpria rituais exigentes, como banhos de água gelada, passar frio, comer com as mãos e dormir no chão. Parte substancial do seu salário era alegadamente doada à organização. A investigação aponta ainda a sua participação em dezenas de grupos online de partilha de pornografia infantil, onde usava o nome de código ‘PABS’.
Vizinhos do advogado relataram ao Correio da Manhã que Paulo Abreu dos Santos tinha um comportamento reservado e “sinistro”, chegando a não cumprimentar quem encontrava. Até ao fecho desta edição, Catarina Sarmento e Castro não respondeu aos contactos para comentar a situação.








