Marinha venezuelana escolta petroleiros rumo à Ásia em desafio direto ao bloqueio imposto por Trump

A marinha da Venezuela escoltou esta semana vários navios petroleiros comerciais com destino à Ásia, numa ação interpretada como um desafio direto ao bloqueio militar imposto pelos Estados Unidos ao setor petrolífero venezuelano.

Pedro Zagacho Gonçalves

A marinha da Venezuela escoltou esta semana vários navios petroleiros comerciais com destino à Ásia, numa ação interpretada como um desafio direto ao bloqueio militar imposto pelos Estados Unidos ao setor petrolífero venezuelano. A iniciativa surge num contexto de forte escalada das tensões entre Washington e Caracas, marcada por ataques militares norte-americanos e por acusações mútuas entre os dois governos.

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De acordo com informações avançadas pelo New York Times, três embarcações que transportavam ureia, coque de petróleo e outros derivados petrolíferos zarparam na terça-feira e na quarta-feira, acompanhadas por meios navais venezuelanos por ordem direta do Presidente Nicolás Maduro. A decisão representa um passo significativo na resposta de Caracas à estratégia de contenção adotada pela administração norte-americana.

Um responsável norte-americano confirmou que os Estados Unidos tinham conhecimento da escolta naval venezuelana e indicou que Washington estava a ponderar diferentes opções de resposta. Ainda assim, uma análise efetuada pelo New York Times concluiu que os navios em causa não constavam da lista de petroleiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos EUA, nem estavam identificados como alvos de potenciais ataques militares.

A PDVSA, empresa petrolífera estatal da Venezuela, assegurou que os navios continuam a operar “com total segurança, apoio técnico e garantias operacionais, no exercício legítimo do seu direito à livre navegação”, sublinhando que o país mantém as suas exportações apesar da pressão externa.

Bloqueio total e acusações de Trump agravam crise
A escalada intensificou-se depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ordenado na terça-feira um “bloqueio total e completo de todos os petroleiros sancionados” que entrem ou saiam da Venezuela. Trump exigiu ainda a devolução de petróleo que afirma pertencer aos Estados Unidos, reforçando uma narrativa que tem utilizado para justificar o endurecimento da política norte-americana em relação a Caracas.

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Na semana anterior, a apreensão de um petroleiro que alegadamente transportava combustível sob sanções contribuiu para um agravamento significativo das hostilidades entre os dois países, abrindo caminho a novas operações militares na região do Caribe.

Mortes em ataques norte-americanos levantam alertas legais
Segundo dados citados no texto, oito pessoas morreram num ataque militar dos Estados Unidos realizado na terça-feira, elevando para 95 o número total de mortos em ações semelhantes recentemente conduzidas na região. As operações têm sido oficialmente justificadas por Washington como ações contra alegados “barcos de tráfico de droga”.

No entanto, as Nações Unidas e vários especialistas em direito internacional alertaram que estas mortes podem configurar “execuções extrajudiciais”, levantando sérias preocupações quanto à legalidade das operações militares levadas a cabo pelos Estados Unidos.

Aumento da presença militar dos EUA no Caribe preocupa comunidade internacional

A concentração sem precedentes de meios militares norte-americanos no Caribe está a alimentar receios de uma intervenção militar direta na Venezuela, num cenário em que Trump tem manifestado abertamente o objetivo de afastar Nicolás Maduro do poder.

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Maduro acusou os Estados Unidos de estarem a “fabricar” uma guerra com o intuito de explorar os recursos petrolíferos venezuelanos. A Casa Branca rejeita essa acusação, insistindo que as operações visam exclusivamente “narco-terroristas” e redes de contrabando de droga.

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 303 mil milhões de barris, ultrapassando a Arábia Saudita, que possui cerca de 297,7 mil milhões. Atualmente, o país produz cerca de um milhão de barris por dia, sendo grande parte das reservas localizada na Faixa do Orinoco, no leste do território, uma região com cerca de 55 mil quilómetros quadrados.

Em comparação, as reservas petrolíferas dos Estados Unidos são significativamente inferiores, rondando os 46 mil milhões de barris em 2023, o que representa um volume cerca de seis vezes menor do que o venezuelano. Este desequilíbrio reforça o peso estratégico do petróleo venezuelano num confronto que combina interesses económicos, militares e políticos à escala internacional.

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