“Queda da Ucrânia pode pôr em causa a independência da Polónia”, avisa PM polaco

Declaração foi feita à margem das conversações em curso entre líderes europeus, num momento que Tusk descreveu como particularmente sensível e decisivo, segundo relata o jornal britânico ‘The Guardian’

Francisco Laranjeira

O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, deixou um aviso contundente aos parceiros europeus ao afirmar que a independência polaca poderá ficar em risco caso a Ucrânia seja forçada a render-se na guerra com a Rússia. A declaração foi feita à margem das conversações em curso entre líderes europeus, num momento que Tusk descreveu como particularmente sensível e decisivo, segundo relata o jornal britânico ‘The Guardian’.

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Numa curta declaração aos jornalistas polacos, Tusk explicou que os líderes estão envolvidos “num processo muito difícil” para alcançar um acordo, sublinhando que alguns países se sentem especialmente expostos a eventuais represálias ou medidas financeiras por parte de Moscovo. Entre os Estados mais cautelosos, referiu a Bélgica, que tem pedido garantias e salvaguardas claras no âmbito das propostas em discussão.

Ainda assim, o chefe do Governo polaco reconheceu sinais de progresso, afirmando existir um “avanço” no sentido de um entendimento geral sobre a necessidade de avançar com decisões concretas, estando agora os líderes concentrados em encontrar soluções que sejam aceitáveis para todos os Estados-membros.

Foi, porém, ao abordar as consequências de uma eventual derrota ucraniana que Tusk adotou um tom mais grave. De acordo com o ‘The Guardian’, o primeiro-ministro avisou que “a independência da Polónia estaria ameaçada se, como consequência de más decisões ou da falta de ação da Europa, a guerra obrigar a Ucrânia a render-se”.

Tusk insistiu que esta realidade deve ser plenamente compreendida, tanto pelos líderes europeus como pela opinião pública polaca. O apoio à Ucrânia, incluindo a utilização de fundos russos congelados, não é apenas uma questão de solidariedade, mas de segurança estratégica. Na sua leitura, a independência da Ucrânia funciona como um escudo que afasta o risco de agressão das fronteiras polacas, enquanto o colapso de Kiev representaria uma ameaça direta à Polónia.

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“Quero que isso fique bem claro para todos – não apenas para os nossos colegas aqui na Europa, mas também para todos na Polónia – que quando falamos da necessidade de apoiar a Ucrânia com esses fundos russos, é porque sabemos muito bem que a independência da Ucrânia afasta o risco de agressão ou guerra das fronteiras polacas. Por outro lado, a queda da Ucrânia como resultado desta guerra significaria uma ameaça direta à Polónia”, concluiu.

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