A União Europeia avançou esta quinta-feira com um novo pacote de sanções dirigido à chamada “frota fantasma” da Rússia, acrescentando mais 41 navios à lista de embarcações penalizadas por ajudarem Moscovo a contornar as restrições ocidentais impostas desde o início da guerra na Ucrânia. Com esta decisão, o número total de navios sancionados pelo bloco comunitário aproxima-se agora das seis centenas.
De acordo com o Conselho da União Europeia, as embarcações agora visadas ficam proibidas de entrar em portos da União Europeia e deixam de poder beneficiar de um vasto conjunto de serviços associados ao transporte marítimo, incluindo apoio logístico, técnico e financeiro. A medida pretende dificultar a utilização de navios que operam fora do circuito marítimo ocidental e que têm sido fundamentais para a exportação de petróleo russo.
Desde o início do conflito na Ucrânia, a União Europeia já aprovou 19 pacotes de sanções contra a Rússia. Apesar disso, Moscovo conseguiu adaptar-se a grande parte das medidas restritivas e continua a vender milhões de barris de petróleo, sobretudo à Índia e à China, ainda que com descontos significativos face aos preços praticados nos mercados internacionais.
Grande parte dessas exportações é realizada através da denominada “frota fantasma”, um conjunto de navios que operam à margem das normas e dos serviços tradicionais da indústria marítima ocidental. Estes navios permitem à Rússia escoar petróleo e outros produtos energéticos sem recorrer a seguradoras, portos ou operadores sujeitos às sanções impostas pela União Europeia e pelos seus aliados.
No início da semana, Bruxelas já tinha reforçado este cerco ao adotar sanções contra dois comerciantes de petróleo russos, Murtaza Lakhani e Etibar Eyyub, acusados de facilitar a evasão às sanções ocidentais sobre as exportações de crude. Segundo a União Europeia, essas atividades contribuem diretamente para o financiamento da guerra levada a cabo pela Rússia na Ucrânia.
Com este novo alargamento da lista negra, a União Europeia procura fechar mais uma via utilizada por Moscovo para mitigar o impacto económico das sanções e manter receitas essenciais para sustentar o esforço de guerra, reforçando simultaneamente a pressão sobre o setor energético russo e sobre as redes logísticas que o suportam.













