China opõe-se a qualquer tentativa de intimidação dos Estados Unidos à Venezuela

Yvan Gil informou Wang Yi sobre a situação atual na Venezuela, “enfatizando que o Governo e o povo venezuelanos defenderão firmemente a soberania e a independência do país”, disse ministério chinês

Executive Digest com Lusa

A China reiterou hoje à Venezuela, alvo de pressões militares americanas, que se opõe a qualquer tentativa de “intimidação unilateral” e apoia cada país na defesa da soberania e da dignidade nacional.

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“A Venezuela tem o direito de desenvolver de forma independente uma cooperação mutuamente benéfica com outros países”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês num resumo de uma conversa telefónica entre os chefes da diplomacia de Pequim e de Caracas.

A conversa realizou-se a pedido do ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, segundo um comunicado divulgado na página na Internet do ministério chinês.

Yvan Gil informou Wang Yi sobre a situação atual na Venezuela, “enfatizando que o Governo e o povo venezuelanos defenderão firmemente a soberania e a independência do país”, disse ministério chinês.

Fá-lo-ão “salvaguardando resolutamente os legítimos direitos, e não aceitarão quaisquer ameaças de intimidação ou de abuso de poder”, acrescentou, segundo a mesma fonte.

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Wang disse a Gil que a China e a Venezuela “são parceiros estratégicos” e que “a confiança e o apoio mútuos são tradições nas relações” entre Pequim e Caracas.

“A China opõe-se a todos os atos de intimidação unilateral e apoia todos os países na salvaguarda da soberania e dignidade nacional”, afirmou, citado pelo ministério.

Wang disse ainda que “a China acredita que a comunidade internacional compreende e apoia a posição da Venezuela na salvaguarda dos seus legítimos direitos e interesses”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira um bloqueio aos petroleiros que operam com a Venezuela.

Trump disse mesmo que a Venezuela estava cercada pela “maior armada jamais reunida na história da América do Sul”.

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Disse também que o abalo no país liderado por Nicolás Maduro será sem precedentes até que devolva “o petróleo, as terras e outros ativos” que acusou Caracas de ter “roubado anteriormente” aos Estados Unidos.

O bloqueio constitui um reforço significativo dos meios militares que Trump já tinha destacado para águas internacionais das Caraíbas para combater o narcotráfico, que afirma envolver o Governo de Caracas.

As forças norte-americanas mataram pelo menos 90 pessoas em ataques a mais de 20 embarcações no Pacífico e nas Caraíbas nos últimos meses, como parte da campanha de Trump contra gangues que acusa de transportarem droga na região.

A Rússia também se manifestou hoje preocupada com a situação na região e o chefe da diplomacia de Moscovo, Serguei Lavrov, aludiu à possibilidade de uma operação militar terrestre norte-americana na Venezuela.

“As declarações genericamente beligerantes (…) sugerem que, além das ações ilegais de afundar navios civis sem julgamento prévio nas Caraíbas, [os Estados Unidos] estão também a planear uma operação terrestre”, afirmou.

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Moscovo negou, até ao momento, informações de que Caracas teria solicitado ajuda militar à Rússia perante o agravamento das tensões com os Estados Unidos.

Já o Irão considerou num comunicado que o bloqueio norte-americano à Venezuela é “um exemplo manifesto de pirataria de Estado e de banditismo armado no mar”.

“As ameaças, os bloqueios económicos e o recurso à força contra um Estado independente, membro das Nações Unidas, constituem uma violação evidente dos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas”, afirmou Teerão.

Em Caracas, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou hoje que o exército não se deixa intimidar pelas “ameaças arrogantes” de Trump.

“Dizemos ao Governo norte-americano e ao seu Presidente que as suas ameaças grosseiras e arrogantes não nos intimidam”, declarou Padrino, lendo um comunicado da instituição militar.

“A dignidade desta pátria não se negoceia, nem se verga perante ninguém”, acrescentou.

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Trump anunciou que vai falar ainda hoje ao país (já madrugada de quinta-feira em Lisboa) sem especificar o tema, mas a sua porta-voz referiu que vai abordar a ação do governo nos primeiros 11 meses do segundo mandato presidencial.

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