Ex-adjunto da Justiça suspeito de abusos sexuais a crianças em culto religioso no Seixal

Paulo Abreu dos Santos, antigo adjunto de uma ex-ministra da Justiça, encontra-se em prisão preventiva por suspeitas de abuso sexual de crianças e partilha de imagens pornográficas envolvendo menores.

Revista de Imprensa
Dezembro 17, 2025
9:45

Paulo Abreu dos Santos, antigo adjunto de uma ex-ministra da Justiça, encontra-se em prisão preventiva por suspeitas de abuso sexual de crianças e partilha de imagens pornográficas envolvendo menores. As autoridades acreditam que os crimes terão ocorrido num terreiro no concelho do Seixal, espaço considerado sagrado onde se pratica o culto dos ‘Orixás – Ilê Axé Omô Oxum’, uma religião de origem africana, muito difundida no Brasil, assente na crença em divindades que funcionam como intermediárias entre os seres humanos e o divino.

Segundo o Correio da Manhã (CM), o suspeito terá atacado as vítimas no próprio terreiro, frequentado regularmente por si, pela mãe e pelo irmão, sendo também habitual a presença do então companheiro. Paulo Abreu dos Santos tornou-se orixá em 2012, um ano antes de ingressar na Ordem dos Advogados, após cumprir rituais tradicionais como rapar o cabelo e permanecer durante uma semana em cerimónias religiosas no espaço localizado em Corroios.

A investigação aponta para a possibilidade de algumas das vítimas serem crianças particularmente fragilizadas, familiares de frequentadores do culto, não sendo ainda conhecido o número exato de menores abusados nem as circunstâncias concretas dos crimes. As autoridades admitem igualmente que algumas vítimas possam provir de instituições, uma vez que era frequente a participação de crianças carenciadas em determinados rituais. O telemóvel e o computador apreendidos pela Polícia Judiciária aguardam ainda peritagem.

Até ao momento, o processo assenta sobretudo na confissão do arguido, que reconheceu abusos contra duas crianças, com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Os vídeos das violações estavam armazenados no seu telemóvel e foram visionados pelas autoridades, tendo sido apreendidas centenas de imagens de pornografia infantil. Um dos registos levanta suspeitas quanto à eventual existência de um cúmplice, por aparentar ter sido filmado por uma terceira pessoa.

Detido inicialmente na cadeia anexa à Polícia Judiciária de Lisboa, Paulo Abreu dos Santos foi transferido para o Estabelecimento Prisional da Carregueira, onde se encontra como recluso número 866. Durante os interrogatórios, chorou e manifestou arrependimento, tendo sido apurado que chegou a aceder a conteúdos de abuso sexual de menores a partir das instalações do Ministério da Justiça, onde trabalhava.

Pessoas que com ele conviveram no culto descrevem-no como “descompensado”, “sádico” e com “requintes de malvadez”. Uma crente afirmou que “ele não tinha amigos, nem pessoas próximas no culto” e que “apenas parecia estar bem quando havia crianças”, acrescentando que o arguido ameaçava os mais frágeis dizendo que “podia tudo porque trabalhava no Ministério da Justiça”. Entretanto, o advogado Marco Antão renunciou à defesa do suspeito, invocando “objeção de consciência”.

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