Vaticano rejeita mulheres diáconas e defende que “a masculinidade de Cristo não é acidental”

Uma comissão de alto nível do Vaticano afastou novamente a possibilidade de as mulheres exercerem funções de diáconos na Igreja Católica, defendendo que os fundamentos históricos e teológicos continuam a impedir qualquer alteração ao modelo de ordenação apenas masculina.

Pedro Gonçalves
Dezembro 4, 2025
14:10

Uma comissão de alto nível do Vaticano afastou novamente a possibilidade de as mulheres exercerem funções de diáconos na Igreja Católica, defendendo que os fundamentos históricos e teológicos continuam a impedir qualquer alteração ao modelo de ordenação apenas masculina. A decisão, tomada por sete votos contra um, consta de um relatório entregue ao Papa Leão XIV e tornado público esta quinta-feira, segundo noticiou a agência Reuters.

No documento, com sete páginas, a comissão presidida pelo cardeal Giuseppe Petrocchi — arcebispo emérito de L’Aquila e nomeado pelo Papa Francisco para analisar o tema — conclui que “o status quaestionis da pesquisa histórica e da investigação teológica (…) excluem a possibilidade de avançar na direção da admissão de mulheres ao diaconado entendido como um grau do sacramento da Ordem”. A comissão acrescenta que esta avaliação é sustentada “à luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja”, apesar de admitir que ainda não é possível formular “um juízo definitivo”.

O relatório, enviado ao Papa a 18 de setembro e divulgado agora por decisão do próprio pontífice, sistematiza os argumentos apresentados nos últimos anos tanto pelos defensores como pelos opositores da ordenação de mulheres como diáconos. Entre os que defendem a mudança, são citadas referências à “igual condição do homem e da mulher como imagem de Deus” e à profissão de fé de que “já não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois ‘um’ em Cristo Jesus”, recordando a passagem da Epístola aos Gálatas (3, 28). Os apoiantes sublinham ainda que a evolução social tem promovido “a igualdade de acesso de ambos os géneros a todas as funções institucionais e operacionais”.

Em sentido contrário, a comissão registou o argumento segundo o qual “a masculinidade de Cristo e, portanto, a masculinidade de quem recebe a Ordem, não é acidental”, sendo vista como “parte integrante da identidade sacramental”. Alterar este princípio, afirma o relatório, seria “uma rutura do sentido esponsal da salvação”, e não apenas uma adaptação pastoral ou funcional.

Apesar de rejeitar, por agora, qualquer abertura ao diaconado feminino, a comissão expressa o desejo de que a Igreja possa reforçar o reconhecimento institucional do papel das mulheres nos serviços comunitários. No texto, lê-se que “o acesso das mulheres aos ministérios instituídos para o serviço da comunidade possa ser alargado”, permitindo “um adequado reconhecimento eclesial da diaconia dos batizados, particularmente das mulheres”. Um avanço desse tipo, defende a comissão, seria “um sinal profético, especialmente onde as mulheres ainda sofrem situações de discriminação de género”.

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