Os bancos que há quase duas décadas tentam recuperar mais de mil milhões de euros concedidos ao universo empresarial de Joe Berardo abriram um novo capítulo na disputa judicial. Segundo o jornal Público, a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o Novo Banco recorreram para o Tribunal da Relação de Lisboa com o objetivo de obrigar uma segunda associação ligada ao empresário a revelar que bens ali estão integrados.
O recurso, entregue a 14 de outubro, dirige-se à Associação de Coleções, uma estrutura mais discreta dentro do organograma empresarial de Joe Berardo. De acordo com o jornal Público, os bancos acreditam que esta associação poderá deter ativos relevantes que possam ser usados para ressarcir parte das dívidas que permanecem por pagar.
Em paralelo, continua a disputa em torno da Associação Coleção Berardo, dona das obras de arte que integram a conhecida coleção. Estes bens são vistos pelos credores como potencial garantia para recuperar os montantes em falta.
A dívida total em causa ascende a 388 milhões de euros à CGD, 397 milhões ao BCP e 241 milhões ao BES/Novo Banco. Estes empréstimos foram concedidos sobretudo para financiar a participação de Berardo na disputa acionista do BCP em 2007.
O processo chega agora à Relação depois de, em janeiro, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa ter dado razão a Berardo, recusando o acesso dos bancos à informação pedida. O novo recurso marca mais um episódio da longa batalha jurídica entre o empresário madeirense, hoje com 81 anos, e as instituições financeiras que continuam a tentar recuperar os valores concedidos.














